Euler, uma autora

Tudo é linguagem( Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Admira-me a coragem de quem levanta a própria voz um pouco acima do burburinho coletivo, a fim de falar dos outros e, sobretudo, de si mesmo, como faz um verdadeiro autor.  Mais das vezes, a incompreensão é a sua única recompensa.
Falo de gente como Euler Lopes, capaz de se relacionar com as pessoas e paisagens de um dado lugar de maneira tão íntima, a ponto de as transbordar em pontos e vírgulas de romance, em poesia.
Em sua primeira encarnação autoral, Euler foi um dramaturgo ousado, com tino e texto para chamar a atenção da acanhada inteligência local para as montagens da Cia A Tua Lona, ainda imberbe.
Depois, Euler extrapolou o tablado do Teatro em performances andarilhas que tomam o Centro de Aracaju e a margem do Rio Sergipe como cenário, ambiente e personagem. Isso foi um pouco antes de se assumir romancista, autora, gênero feminino/afrontosa/marginal. Mariconas, o seu primeiro romance publicado, reflete em linguagem as implicações de sua vivência, a sua biografia.
No próximo dia 26, às 18h30, Euler fará a última leitura pública dos fragmentos a serem reunidos em Rua da Frente, o seu segundo romance. O evento será realizado na Casa Linda Brasil (Rua Estância, 331), uma escolha que, à parte a disponibilidade de outros espaços, transborda em miríade de significados, como a melhor literatura.
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