A razão de um monumento

(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Dependesse de mim, o Largo da Gente Sergipana jamais teria saído do papel. A obra ainda não passava de projeto quando as críticas pronunciadas à boca pequena foram divulgadas por este Jornal do Dia, provocando toda sorte de reações, da adesão ao escândalo. A polêmica passou, restaram as esculturas, para deleite dos turistas. Desde então, o artista baiano Tati Moreno é um homem mais rico.
Longe de mim, desprezar a importância simbólica de um monumento. Com o Largo da Gente, as brincadeiras da cultura popular ganharam a notoriedade merecida, uma espécie de face pública, um rosto reconhecível. Mas, ao contrário dos mestres de mãos calejadas em atividade na terrinha, os bonecos em fibra de vibro não cantam, não dançam. Sem a vibração do tambor, o investimento milionário realizado no conjunto arquitetônico não constrói laços duradouros, nem apela à memória afetiva de ninguém.
Verdade seja dita: A cultura popular sempre foi tratada como um patinho feio pelos gestores da sensibilidade nativa. Procurem nas festas promovidas pelo poder público, quantos grupos folclóricos são contemplados, a que preço, qual o espaço reservado a eles na programação. A julgar pelo tratamento dispensado, tudo não passa de retalhos, melação e barulho.
Compartilhe esta notícia