Rian Santos
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Menino, deleitava-me com o cortejo dos doidos no vai e vem das ruas. Eram todos inofensivos, apesar dos gestos largos. Falavam alto, consigo mesmos, provocavam certa apreensão nas pessoas em volta. Mas nunca feriam ninguém.
É diferente quando uma figura pública, um servidor com responsabilidade formal sobre o destino de uma população inteira, veste a camisa pelo avesso, igual a um doidinho. Estes podem até fazer alguma graça. Mas atestam no figurino fora de lugar escandaloso desprezo pela retidão inerente ao exercício do cargo.
Infelizmente, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, falta com o decoro repetidas vezes. Recém-eleita, fantasiou-se de felina e foi às redes sociais em vestes de uma gestora antropomórfica, com filiação religiosa, a leoa de Judá.
Agora, vira e mexe, Emília aparece mal trajada com a camisa da seleção brasileira, as costas à frente. A “distração” da prefeita tem propósito notável. Ela exibe, assim, o número 10, associado ao craque Walmir de Francisquinho, candidato ao governo do estado nas eleições de outubro.
Emília, mais uma vez, mete os pés pelas mãos, coloca o carro à frente dos bois, ignora os limites cabíveis entre as esferas pública e privada. O apoio declarado a Walmir é do jogo. A manobra tresloucada, ao contrário, esgarça o tecido do uniforme institucional.
Prefeita, ela tem direito a manifestar suas preferências, como qualquer um. Mas não deveria esfregá-las o tempo inteiro nas fuças dos aracajuanos, um povo com inclinação política vária. Essa é também uma questão de juízo.


