Vinte anos para trás

Um sonho realizado (Reprodução)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Careca, pai duas vezes, sou hoje tão pobre quanto aos vinte e poucos anos, quando entrei na redação deste Jornal do Dia com uma carteira de trabalho imaculada, sem traço de anotação, nos bolsos furados.
Não apresento, aqui, um atestado de lisura profissional, não simpatizo com votos de pobreza. Lamento, antes, a realidade do ofício.
Por mim mesmo, não me queixo. Lá atrás, antes de perder os cabelos, pagar as contas e escrever com alguma liberdade num jornal local parecia um sonho. Mesmo absurda, tal pretensão foi satisfeita plenamente. Desde quando Inácio e Lorena nasceram, contudo, eu quero mais.
Deixo hoje este diário onde fiz tanta raiva e conquistei alguma notoriedade sem nenhuma reclamação. A falta de um padrinho político não me impediu de engrossar o pescoço, cá neste Jornal do Dia. Apesar de todos os embaraços, Gilvan Manoel e Elenilton Pereira nunca me subtraíram uma única vírgula.
Pulo o balcão, decidido a virar empresário. Sim, vou atrás da tal grana preta, como todo mundo. Cultor de hábitos modestos, nasci aleijado de ambição. Entre tantas transformações, entretanto, as minhas crias mudaram isso também.
Chego à bodega e viro a página, passo a minha vida em revista, como o Daytripper de Fabio Moon & Gabriel Bá. Lá se vão mais de vinte anos. Foi bom demais.
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