A paz dos cemitérios

Um recado, em alto e bom som (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Num dia de triste memória, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil.
Em sua primeira manifestação pública após a consagração nas urnas, um discurso proferido entre quatro paredes, transmitido pela internet, o presidente do Brasil colocou a bíblia antes da Constituição Federal, queixou-se do jornalismo independente e fez alusão a uma delirante ameaça comunista, supostamente representada pela candidatura do adversário Fernando Haddad. Em poucos minutos, o presidente nada fez além de acentuar o clima de hostilidade que pontuou toda a campanha eleitoral. Deu no que deu.
 Jair Bolsonaro começou mal e faz um governo pior ainda. Não se pretende aqui questionar a vontade soberana do povo. Mas de um chefe de Estado espera-se uma postura diversa da adotada pelo sujeito. Ao invés de hastear uma bandeira branca e propor a conciliação de todos os brasileiros em torno dos interesses nacionais, independente dos embates partidários e das filiações ideológicas, ele próprio e os seus investiram no confronto diariamente, durante quatro anos terríveis. E o fazem ainda hoje.
O bolsonarismo acena agora com um suposto projeto de pacificação nacional que inclui anistiar golpistas condenados, à revelia da Constituição. Quer a paz dos cemitérios. Último domingo, no entanto, uma enorme bandeira do Brasil foi desfraldada sobre milhares de cabeças em plena Avenida Paulista – um recado em verde, amarelo e bom português, sepultando as pretensões dessa gente.
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