Rian Santos
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A Prefeitura de Aracaju tomou parte na inauguração de mais uma Academia de Letras. Desta vez, a confraria beletrista reúne autores com deficiência e autistas.
Escritor de auto-ajuda com vários títulos encalhados, Domingos Pascoal aplaudiu a iniciativa. Para ele, trata-se de necessário movimento em prol da inclusão.
Se perguntar não ofende, eu me atrevo: qual o proveito de uma Academia de Letras? A Sergipana, por exemplo, cujo cobiçado assento é disputado na base de muita politicagem, acoita talentos de qualidades as mais diversas.
Empresários, políticos, jornalistas, personalidades e poetas inflados de muita importância trocam ali elogios a troco de nada. Vestem uma farda cafona no dia da posse, proferem discursos pontuados por um vocabulário empoado e acrescentam o título conquistado à própria assinatura. Eis o ganho.
Apesar da serventia pouca, no entanto, as Academias de Letras se multiplicam, uma em cada esquina, mais fáceis do que os botecos, as farmácias, os terreiros e as padarias.
Templos de pedra e cal, dedicados a mesquinhos imortais de carne e osso. As nossas Academias de Letras servem a coisa nenhuma, além do ego de uns senhores enrugados, como fica claro a cada novo ato de posse. A Academia de Letras de Aracaju, por exemplo, inaugurada há anos, não acrescentou uma única vírgula à paisagem da aldeia. No que depender dos esforços ali empreendidos, Sergipe será sempre, como agora é, uma terra repleta de intelectuais muito vivos e raros livros folheados.
Verdade seja dita: Newman Sucupira jamais seria admitido numa de nossas Academias de Letras. Fernando Sávio também não. Antonio Carlos Viana, Francisco Dantas e Maria Lúcia Dal Farra, exemplos raros de escritores sergipanos bem-sucedidos, ganharam a consideração da crítica especializada sem conceder um único aceno às cerimônias provincianas. O resto é vaidade e politicagem.


