Rian Santos
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Em 2025, fui mais pai do que jornalista. Dois filhos pequenos absorvem toda a minha atenção. Os rumores do mundo, o barulho pressentido da porta pra fora não me interessa, realmente.
Ando em falta com a meia dúzia de leitores cativos desta coluna. Amparado em dados, atado aos fatos, o melhor jornalismo de opinião tira leite de pedra, a fim de acrescentar o calor e o suor de alguma humanidade à carne exangue da notícia. Entre uma fralda e outra, na antesala dos pediatras, no sinal fechado do trajeto diário até a escola, contudo, sobra-me pouco tempo para a reflexão mais sensível. E o relato que pinga da ponta de meus dedos resta mais e mais apressado.
Outro dia, um amigo cobrou-me comentário a respeito das Havaianas de Fernanda Torres. Sem nenhuma vírgula a acrescentar ao ridículo do episódio – refiro-me, claro, à leitura torta dos bolsonaristas -, remeti-lhe a divertida crônica de Lelê Teles, o gatilho mais rápido e certeiro destas praias. Lelê escreveu o texto que eu também deveria ter escrito.
É verdade, estou ciente de todas os desaforos abortados, todas as oportunidades perdidas. Poderia enumerá-los, um a um, numa esdrúxula retrospectiva às avessas. Em lugar de puxar um cortejo fúnebre, contudo, aponto o ano novo, o dedo duro voltado para o horizonte. A promessa renovada da aurora conforta-me com novas chances de mostrar serviço.
Passo a passo, meus filhos crescem como se espera de uma boa infância: saudáveis, inteligentes, cada vez mais independentes. Minhas desculpas têm os dias contados: 2026 vem aí.


