Rian Santos
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Não sou de briga. Já carreguei muita raiva no oco do peito, mas sempre tive os braços magros de um poeta parnasiano. Tive de revidar os golpes do mundo com adjetivos secos, o pugilato sem luvas de Bukowski e Hemingway.
Sinto o cheiro do medo de longe. Quando o Superior Tribunal de Justiça habilitou Valmir de Francisquinho, prefeito de Itabaiana, para disputar novos mandatos nas urnas, voltei o focinho na direção do Palácio de Governo. Engulhei.
Todo mundo sabe: Mitidieri levou uma surra de Walmir, em 2022. Todo mundo sabe também que Mitidieri cumpre um primeiro mandato de governador sem grandes realizações. Há uma ponte em andamento; um programa assistencialista, incapaz de dar fim à insegurança alimentar em Sergipe; um mutirão que percorre o estado oferecendo serviços básicos para os miseráveis. Mais nada.
Os cofres abarrotados do governo estadual prometiam uma reeleição tranquila para Mitidieri. Com uma Deso para torrar nos cobres, mais diversos empréstimos rendendo juros, o governador sergipano não tinha adversários à vista. A habilitação de Valmir pode bagunçar o roteiro.
Há quem diga que a imprensa inteira está no bolso de Mitidieri, mesmo com este JD fazendo o possível para vocalizar a pluralidade das correntes de opinião ventiladas nas esquinas do estado. O fato é que a narrativas das ruas não tem reverberado em letra de imprensa. Mas a lorota de uma eleição vencida por WO está com os dias contados.

