Rian Santos
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Alheio ao calendário religioso, atenho-me, no entanto, à advertência pronunciada durante a Quaresma: Vindos do pó, ao pó retornaremos todos, independente de títulos, nome, prestígio, posição.
As lições da finitude servem a qualquer um, mas deveriam reverberar com força nos andares mais altos. Lá, nas torres de marfim da administração pública, onde o destino coletivo é decidido a golpes de caneta, entretanto, o orgulho costuma falar grosso. E rosna. E baba.
Tudo passa. O enorme poder derivado de um mandato eletivo, também. Quando o governador Fabio Mitidieri trata um repórter no exercício da profissão às patadas, contudo, parece estar certo da própria permanência à frente do estado e dos serviços devidos aos sergipanos.
Todo mundo lembra: Mitidieri não gostou de ser questionado a respeito da falta de água em Sergipe e respondeu ao repórter com ironia barata.
Todo mundo sabe: surpreendido num estádio de futebol, no exterior, justamente enquanto gozava licença médica, o governador alegou ter comunicado sua ausência à Assembleia Legislativa e fez pouco caso da má impressão provocada entre os sergipanos.
Todo mundo viu: depois de empregar esposa e primo no primeiro escalão do governo estadual, Fabio Mitidieri empregou também Luiz Mitidieri. Hoje, o pai do governador é o principal articulador político do governo estadual, o secretário no comando da Casa Civil.
Volto à advertência da Quaresma: O homem não passa de um sopro. O poder mais duradouro dura o tempo de uma ilusão.


