Rian Santos
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Um coro implacável acompanha o governador Fábio Mitidieri feito cão sem dono, culpa inconfessável, uma nódoa, uma ferida. Aonde quer que ele vá, a boca seca do povo repete: Tem água aí?
A pergunta reverbera, expiação e desaforo, pelo encanamento ocioso sob a responsabilidade de um ente privado, a Iguá Saneamento. De algum modo, no entanto, jorra sempre pelas torneiras devidamente irrigadas do governador.
Às vésperas de uma eleição, toda crítica corre o risco de restar desqualificada. As motivações por trás de eventual questionamento podem muito bem guardar segundas intenções. Desta vez, no entanto, a insatisfação popular é notável. O negócio firmado entre o governo de Sergipe e a Iguá Saneamento agravou a falta de água no estado.
O populacho sabe de suas razões. Fiador da Iguá, Fábio Mitidieri assumiu o ônus político da concessão de grande parte dos serviços sob a alçada da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso). O negócio rendeu mais de R$ 4 bilhões aos cofres estaduais. O governador, contudo, não parece ter feito bom cálculo.


