Sem Oscar…

Na trave!(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O Agente Secreto não ganhou o Oscar, nem o merecia. A maior injustiça cometida por Hollywood contra a brava gente será sempre o prêmio negado a um filme irretocável, a obra-prima de Walter Salles, Central do Brasil (1998).
Leio o excelente artigo de Luciano Correia, publicado aqui e alhures, inconformado com o oba-oba provocado pelo filme de Kléber Mendonça Filho. Para ele, as diversas virtudes do longa-metragem (longo demais, aliás) não superam certo desleixo. Eu subscrevo. E saúdo a disposição do amigo para derrapar na contramão.
Ao contrário da direita reacionária de Terra Brasílis, Luciano não é burro, não comemora o fracasso da campanha tupiniquim pelo Oscar. As vírgulas acrescentadas pelo jornalista à apreciação corrente, subordinada à ideologia, iluminam o filme de Kléber Mendonça, não o apagam, não o lançam às sombras.
Igual a Luciano, de quem fui aluno na Universidade Federal de Sergipe, admito o pendor para o ponto fora da curva. Mas o mal causado pela adesão irrefletida às correntes dominantes de opinião independe das inclinações individuais – à esquerda, à direita. Não por acaso, o clichê forjado por Nelson Rodrigues, rabugento de marca maior, adverte que toda unanimidade é burra!
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