Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Diferenças à parte, apesar dos gostos opostos e da capacidade econômica diversa, Fábio Mitidieri é dos meus. Refiro-me ao apreço pela família e o descanso. Na primeira oportunidade, reunimos os mais próximos, jogamos as pernas pra cima.
Mitidieri é o governador mais bem pago do Brasil. Segundo os seus aliados, a remuneração extraordinária recompensa o trabalho árduo de um gestor igualmente excepcional, o maior da História de Sergipe. Lembro de Marcelo Déda, Albano Franco, João Alves Filho… E tomo tamanho entusiasmo por injustiça.
O governador transmitiu, última quarta-feira (15), o cargo de chefe do Executivo estadual à presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), a desembargadora Iolanda Guimarães. Tirou dez dias para cuidar dos próprios assuntos.
Há menos de um ano, ele usou do mesmo expediente, com finalidade idêntica. Além disso, já meteu um atestado médico para realizar uma viagem internacional e acompanhar a final de um torneio de futebol. Flagrado no camarote do estádio, deu de ombros para a opinião pública. O episódio causou escândalo.
É verdade, também há ossos a roer no exercício do poder, como em qualquer outro ofício, bem remunerado ou não. Isso de dar satisfações de cada gesto, cada destino, a mais breve ausência, ônus derivado de ser uma figura pública, a serviço da população, no entanto, vem acompanhado por toda sorte de benesses.
Mitidieri está agora em vias de ter a sua popularidade e a sua gestão avaliadas nas urnas. Logo ele, que já foi capaz de lamentar as críticas e cobranças próprias do cobiçado cargo.


