* Rômulo Rodrigues
Nas duas eleições presidenciais antes do golpe militar de 1964, João Goulart foi eleito vice-presidente da República, em voto separados dos candidatos a presidente, Juscelino Kubitscheck, eleito pelo PSD e Jânio Quadros, eleito pela coligação PTN/UDN.
Sempre sendo eleito separado se comportou, nos dois mandatos, à altura da liturgia do cargo, substituindo os presidentes eleitos em ocasiões específicas ou cumprindo missões determinadas por eles.
José Alencar, eleito por dois mandatos na mesma chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, desempenhou com fidelidade suas funções constitucionais e cumpriu inúmeras funções designadas pelo presidente Lula, ao longo de dois governos e consolidou uma sólida amizade.
Sempre que achava pertinente manifestava suas discordâncias em alguns aspectos da política econômica, principalmente no quesito taxa de juros do Banco Central, atitudes que o presidente encarava com bom humor e fortalecia a cada dia a grande amizade e parceria.
Algo em comum e muito relevante é que um era estancieiro dos pampas gaúchos, burguês, sim senhor, e o outro capitão da indústria têxtil mineira, ambos providos de grande caráter.
Retirados de cena os generais ditadores, a primeira eleição presidencial sob a égide da Constituição de 1988, foi em 1989 e elegeu Fernando Collor presidente da República e Itamar Franco como vice-presidente.
Fernando Collor tomou posse em março de 1990 e foi cassado em setembro de 1992 e Itamar Franco assumiu o seu lugar, depois de atravessar toda a crise do impeachment, com a mais absoluta retidão de caráter.
Itamar Franco criou o plano real para eleger Fernando Henrique Cardoso em 1994 e este se reelegeu em 1998, sempre com o mesmo vice, Marco Maciel, discreto, apagado, católico fervoroso e muito conservador, que soube se submeter à liturgia do cargo.
O único ponto fora da curva entre os vices presidentes eleitos pelo voto direto, depois de João Café Filho, e que não esteve à altura do cargo, foi Michel Temer, após ser eleito duas vezes com a presidenta Dilma Rousseff.
Michel Temer, não foi escolhido pelo PT nem por Dilma Rousseff e sim pelo MDB e pelo baronato paulista, numa coligação necessária, traindo os compromissos assumidos no segundo mandato e sendo o conspirador Nº 1 do golpe civil e militar de 2016.
Michel Temer nunca foi um vice-presidente da República; foi um impostor colocado pelo mercado para na hora precisa dar o golpe e destruir tudo o que tinha sido construído em 12 anos de pleno desenvolvimento. Ele se revelou um mau caráter.
A bola da vez na atual conjuntura está sendo a possibilidade de Geraldo Alckmin vir a ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula. Ele tem muitos dos pontos negativos dos vices Itamar Franco, Marco Maciel e José Alencar; mas, não há indícios da falta de caráter de Temer.
A conjuntura visível para 2023 difere muito da de 2015. Os golpistas militares, judiciais, políticos e midiáticos estão muito desmoralizados pelo genocídio que praticaram e pelo retorno do Brasil ao mapa da fome.
Em contra partida Lula estará muito fortalecido pelo apoio popular interno e pelo respeito que goza no mundo todo para colocar em ação um programa de governo democrático e popular e derrotar qualquer tentativa de novo golpe. Durante a semana a democracia teve uma grande vitória com a aprovação dos R$ 4,964 bilhões de fundo eleitoral para seu financiamento e inibir o financiamento privado.
Apesar do barulho dos moralistas sem moral, foi a conquista de uma luta histórica dos partidos de esquerda: O financiamento público dos partidos político e das campanhas eleitorais.
Enquanto o mundo gira e a política roda, o presidente da República permanece de férias e faz deboche com a situação de calamidade na Bahia por causa das chuvas. Ao mesmo tempo o ministério da defesa cheio de generais, é acusado pelo TCU, de desvio de dinheiro de vacinas para compra de carnes nobres para churrascos.
Dando provas de ser estadista Lula sobrevoou áreas alagadas e comautoridade disse às forças armadas para que deixem de fazer politicagem e cumpram com seus deveres constitucionais. É Bom que atentem para o recado de Joe Biden de que a provável vitória de Lula tem que ser respeita e pronto.
Ao não levar Geraldo Alckmin com ele, mandou recado aos inquietos, de que a partir de 1º de janeiro de 2023, vai ser assim: O Brasil vai ter presidente da República e, para substitui-lo e desempenhar missões, um vice-presidente.
* Rômulo Rodrigues sindicalista aposentado e militante político.


