Rômulo Rodrigues
Pelo que se vê, analistas de sempre não dão muita importância às circunstâncias e mudanças que em breve vão acontecer, no curso da história, como as provenientes das federações que ainda vão surgir e, por preguiça, comodismo ou, simplesmente, por serem useiros e vezeiros em tratar seus objetos de sobrevivências como coisas repugnantes, apenas, reproduzem as mesmas opiniões de antanho e isso lhes basta.
Pois bem, essa leseira toda faz de muita gente portadora de um esquecimento, por assim dizer, proposital. A constatação preocupa é sobre algo muito importante na construção da efetiva República a partir das eleições gerais de 2030, e trata-se das federações que vão reduzir ou, quase extinguir os tais partidos cartoriais, em que vão prevalecer algo em torno de 10 federações e no máximo 2 partidos solos, contrapondo-se aos um pouco mais de 72 mil eleitores que votaram nos 24 eleitos de 16 partidos em 2020.
Manter o povo desinformado, por exemplo, é repetir o velho chavão de que todo o processo que vai servir de base para a grande mexida, será apenas a repetição do passado porque assim favorece aos novos coronéis políticos, e assim eles reproduzem em suas ladainhas diárias.
No momento, o reino da especulação alimenta e se alimenta em lançar nomes ao léu sobre a sucessão da capital, quase que totalmente dissociados das reais manifestações dos desejos populares, sempre sublinhando que tudo depende da aprovação do governador, do prefeito ou de um ou outro cacique partidário, deixando de lado a política real que será ditada pelo momento econômico em que se encontrará a, ainda não República de verdade.
Há grande possibilidade de o eixo da importância eleitoral se deslocar para a composição da nova câmara municipal a ser mostrada pelas urnas, acima de quem ganhará a tarefa de governar a capital.
O grau de importância eleitoral para crescente importância dos legislativos municipais reinantes é que eles servirão de base para as eleições determinantes das duas casas maiores que realmente importam em 2026 e 2030, quando fecha o ciclo do que vão alardear como centenário de uma revolução que não houve, que foi a chegada de Getúlio Vargas e seu getulismo ao comando do Estado brasileiro.
Para não insistir na mesma receita de bolo de sempre, quem quiser seguir o rumo dos ventos é bom prestar atenção no crescente desejo do eleitorado aracajuano de entregar o comando da sua capital a uma mulher e, tal desejo tem nome, sobrenome e gosto pelas disputas acaloradas e, caso não caia nas mesmas armadilhas recentes em que caiu um quase nomeado governador, pela vontade do povo, a eleição terá ganhadora antecipada; num fenômeno que não é corriqueiro, mas que já ocorreu aqui por perto e também, bem mais longe.
Por aqui, por essas bandas, um partido que já trilhou todos os caminhos abertos para quem queira fazer a marcha vitoriosa de se consolidar na preferência do sábio povo sergipano, tem no seu passado recente páginas escritas com vitórias, derrotas e lições a serem estudadas para reconquistar uma quase hegemonia perdida.
A trajetória é recente e, portanto, bem viva. Já descobriram? A referência é o Partido dos Trabalhadores que, se a atual camada de dirigentes quiser entender que existe uma nova casta em ascensão na militância partidária, com vontade de por muita energia na condução militante, a retomada do papel dirigente na política da província, está logo ali.
Olha que os exemplos estão visíveis como, por exemplo, a realidade. O PT já foi um fenômeno eleitoral em Aracaju? Resposta sim. Ainda é? Resposta não. Poderá voltar a ser? Resposta, sim. Será? Só depende de quem tem as rédeas, afrouxá-las para quem está com os cilindros de oxigênios carregados e com pulmões prontos para respirar.
Exemplos: o PT encantou a capital em 1985, o estado em 1986, desfilou bem em 1994, deu bailes em 2000 e 2004; em 2006 e 2010 e depois começou a murchar.
Naquilo que poderá ser a arrancada para o futuro vai ver no retrovisor que elegeu 2 vereadores em Aracaju em 1992 sem um candidato a prefeito forte, elegeu apenas um em 1996 com um candidato a prefeito que foi ao segundo turno; 4 vereadores em 2000 com prefeito eleito em primeiro turno e repetiu o feito em 2004 com erros e acertos estratégicos e táticos.
Em 2008, com candidato de outro partido pulou para 5 e de lá para cá vem descendo a rua da ladeira, elegendo bancadas de um edil apenas e olhe lá, dando a impressão que eleger prefeito na capital, está mais longe do que perto.
A pergunta então é: o eleitorado está abandonando o PT? A resposta é não. O eleitorado quer apenas que o PT volte a colocá-lo no centro de suas atenções e deixe de ser tratado como massa de manobra e a solução está bem à frente, se não cometer os equívocos de 2016 e 2020 nas buscas do eleitorado perdido; em 2024, quando no máximo 10 grupos elegerão os 24 vereadores e ou, vereadoras. O segredo está na aritmética eleitoral ou, dosimetria do voto.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


