A farra da pólvora

A corrida armamentista promovida pela gestão Bolsonaro, sob o falso pretexto de garantir o direito à auto defesa, só teve fim com a eleição do presidente Lula. Ontem, o Supremo Tribunal Federal virou essa página infeliz da história nacional de vez.
Lula assinou um decreto suspendendo os registros de aquisição e transferência de armas e munições de uso restrito por parte de caçadores, atiradores e colecionadores, um dos seu primeiros gestos como presidente empossado em terceiro mandato. Mas os tarados por armas de grosso calibre não se conformaram e foram às barras dos tribunais, a fim de manterem um arsenal de guerra, sabe-se lá com que propósito. Felizmente, perderam de tempo.
Em seu voto, o ministro Gilmar Mendes, relator das ações que contestavam os decretos assinados por Lula, classificou a medida como “uma espécie de freio de arrumação nessa tendência de vertiginosa flexibilização das normas de acesso a armas de fogo e munições no Brasil” e afirmou que a medida está em harmonia com as últimas decisões do STF sobre o tema. Submetida ao plenário, a liminar de Gilmar foi seguida por ao menos sete ministros.
Melhor assim. Investigações policiais em quatro estados apontam a atuação de indivíduos com registros de Caçador, Atirador e Colecionador a serviço do crime organizado. O número de armas e munições em posse de CACs explodiu sob o governo Bolsonaro, que passou de 350 mil armas compradas em 2018 para mais de um milhão em 2022. Uma farra.

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