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A FOTO DE JOÃO DANIEL NA ÁFRICA DO SUL


Publicado em 21 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* José Eloízio da Costa

Finalmente a questão palestina entrou na agenda política em Sergipe. A foto do Deputado Federal João Daniel ao lado de uma das lideranças da resistência palestina Hamas, por sinal praticamente vitoriosa contra as forças de ocupação sionistas em Gaza; e que um apresentador-político-jornalista matinal ligado a direita e a extrema direita sergipana em um determinado canal de televisão polemizou a questão, abrindo essa agenda sem sentido, porém silenciando em relação ao genocídio sionista contra os palestinos, com quase 40 mil mortos.
Com esta foto, o apresentador arrotou que o referido deputado, ligado ao MST há décadas, “viralizou” nas redes sociais. Com toda a força de sua garganta conservadora, afirmou que João Daniel tinha batido esta foto com um “terrorista” ligado a um grupo que no Ocidente é tratado como representante do demônio. Uma bazófia sem tamanho.
Esse fato pode ser lido em duas linhas. A primeira, pelo oportunismo político de criminalizar o Partido dos Trabalhadores e seu braço mais forte dos movimentos sociais – o MST – em um período crucial de pré-campanha à sucessão municipal. Marcelo Deda foi a liderança que superou as forças conservadoras mais tradicionais nos últimos sessenta anos no estado e de certa forma, ampliou o progressismo político em Sergipe. Com sua morte, há mais dez anos, seu legado tem sido um desastre. Efetivamente não temos herdeiros de Deda, demonstrando que o agrupamento político que ele formava era de oportunistas e de lideranças muito fracas. Efetivamente o PT tornou o partido dos servidores públicos, e de algumas lideranças do MST, e sua outra base, a CUT, na qual seus principais sindicatos foram pulverizados impiedosamente, engolidos pelo trabalho precarizado, pelo individualismo e pela ideologia nefasta do empreendedorismo.
É neste vácuo que o conservadorismo e o reacionarismo se agrupam para tomar a jóia da coroa das prefeituras sergipanas – a de Aracaju – e lançam um dos rebentos do coronel do Vale do Japaratura e sua articulação com algumas lideranças que dominam com mão de ferro os velhos currais eleitorais do interior. Ao lado do líder itabaianense, que também elegeu seu rebento, essas são duas lideranças reacionárias e hoje representam essa “mudança” (sic). O fato do deputado federal do PT, ao lado de um “terrorista”, alimenta esses extremistas, justamente para isolar o partido que ainda apresenta boa densidade eleitoral. Essa é a estratégia.
Por outro lado, a segunda linha relaciona-se com o nível de ignorância abertamente absurda da visão de pessoas de grande influência social e política em relação a questão palestina. A associação ao grupo de resistência palestina Hamas como “terrorista” é de um anacronismo que ainda permanece na concepção dessas pessoas que não conhece de forma objetiva a questão palestina, em um mundo que já entende a natureza desses grupos de resistência palestina, e que não seria apenas o Hamas, mais outros agrupamentos como Jihad Islâmica e FPLP (Frente Popular de Libertação da Palestina), todos grupos de resistência à ocupação sionista.
Atores sociais de grande influência nacional como o jornalista Reinaldo Azevedo, o historiador Marco Antônio Vila e até o lúcido e genial filosofo Vladimir Safatle rotulam o Hamas como terrorista. Uma lástima. O Hamas e os demais grupos de resistência palestinos não são reconhecidos como terroristas em decisão da própria ONU. Mas no Brasil o quadro é trágico onde sequer pessoas lúcidas reconhece esse quadro. O que reforça o papel do sionismo na formação ideológica sobre a questão palestina no Brasil. Daí a inexistência de atos massivos como observado em muitos países ocidentais, e agora destacando os estudantes universitários dos Estados Unidos e de muitas universidades europeias que fazem manifestações gigantescas Pró-Palestina, mesmo submetido a ação repreensiva, com centenas de prisões. Definitivamente, o genocídio em Gaza é o símbolo da hipocrisia moral do ocidente. Em defesa de Israel, acatam a matança de crianças e mulheres. É o inicio da decadência do Ocidente e de sua absoluta desmoralização. Para estes, pela movimentação que observamos em três guerras em andamento, estamos a uma guerra de grandes proporções.
Portanto, pela ignorância cavalar da esmagadora maioria da população brasileira e dos formadores de opinião, também ignorantes, em relação a complexa questão palestina, demonstra-se como estamos distantes da verdade dos fatos. Já do lado oposto, pela atitude consciente do deputado federal João Daniel, o mesmo mostrou que esta do lado certo e no lugar certo, em um país corajoso que colocou Israel nas barras da corte de justiça internacional por crime de genocídio e de guerra. Parabéns Deputado, vamos calar a boca desses ignorantes!

* José Eloízio da Costa, professor do Departamento de Geografia – UFS

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