A hora e o lugar

Evangélicos tomaram o palco do Forró Caju(Ronald Almeida/Secom PMA)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A pregação dos pastores evangélicos não reconhece santidade entre os homens de carne e osso. Santos, para eles, são apenas peças de barro, uma espécie de biscuit da cristandade. Última quinta-feira, no entanto, eles tomaram o palco do Forró Caju – uma festa inspirada justamente pela devoção aos santos de junho.
Uma noite gospel na programação do Forró Caju faz tanto sentido quanto a presença de um pregador coberto de terno e gravata na praia de Atalaia. O figurino é impróprio, convenhamos, mas é a motivação presumível do suposto profeta o que realmente destoa do ambiente.
Os cantores evangélicos no palco erguido pela Prefeitura de Aracaju não pediram licença para fazer uma simples participação no Forró Caju, a fim de confraternizar com os forrozeiros. Em verdade, eles estiveram na praça dos mercados por outro motivo. Ali, compelidos pelos propósitos questionáveis da Teologia do Domínio, eles negaram o verdadeiro sentimento que anima a festa.
Evangélicos não querem saber de São João, ou qualquer santo celebrado em junho. Querem, antes, se impor.
Em episódio exemplar, muitos anos atrás, um pastor chutou a imagem de Nossa Senhora em rede nacional de televisão. O Brasil ainda era, então, majoritariamente católico. Curiosamente, contudo, o escândalo não provocou embaraços ao negócio do pastor Edir Macedo e os templos de pedra e cal, aqueles que segundo a bíblia nunca foram habitados por Deus, continuaram a prosperar.
Há hora e lugar para tudo, assim como há um tempo certo para cada propósito sob o céu. Sim, cito Eclesiastes. As passagens ignoradas por certos pastores me comovem profundamente.
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