A praça é de todos

Márcio Alexandre

Ao passar pela Praça Dom José Thomaz, no bairro Siqueira Campos, em Aracaju, lembrei da água de coco que tomava na primeira barraca, bem em frente ao Instituto Dom Fernando Gomes, e das partidas de futsal que assistia e às vezes participava. Confesso que fiquei triste, ao ver o abandono e a falta de ocupação daquele espaço público, que é tão importante para a população local.
Essa realidade não se restringe ao Siqueira. Em vários bairros da grande Aracaju, o descaso é generalizado. As zonas norte e oeste da capital são as que mais sofrem. No Santos Dumont, no qual a população é extremamente carente de ambientes públicos, os tapumes ao redor da praça indicando que o local será reformado já estão prestes a fazer aniversário. Para se ter uma ideia, cercaram o campo de futebol, mas até o momento a obra não foi concluída, apenas a proibição em usufruir de um bem que é de todos. Além dessa realidade de pseudos reformas, existe também o perigo dos roubos e assaltos, devido a falta de segurança. Não é difícil encontrar pessoas que já foram roubadas ou que conheçam alguém que já passou por essa constrangedora situação.
As praças e ambientes públicos são de todos, e são esses locais, quando bem zelados, que utilizamos para cuidar dos nossos corpos e mentes, praticando alguma atividade física. Sem eles acessíveis, quem mais sofre é a população, principalmente a menos favorecida, porque os ricos (ou menos pobres) dispõem de áreas comuns nos condomínios onde vivem ou usufruem da privatização irregular de ambientes públicos, a exemplo de condomínios que lotearam parte da faixa de areia das nossas praias. Sem falar que muitos viajam para outros estados ou países e usufruem de praças limpas, bonitas e bem cuidadas.
Reformar com celeridade e responsabilidade esses espaços e criar políticas públicas que viabilizem sua utilização são essenciais para voltarmos a usufruir do que é nosso: a praça pública. É mais do que necessário trazer de volta para esses locais, principalmente nos finais de semana, a família, resgatando o que lhes é de direito. Ademais, a criação de projetos, a exemplo do que acontece em várias cidades brasileiras com o “Domingo na praça” fará desse ambiente um local familiar, seguro e, sobretudo, de socialização.

Márcio Alexandre, professor de Matemática

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