Saumínio Nascimento
Apresentarei neste ensaio, alguns dados da produção de energia no Brasil, na lógica de conhecimento da realidade econômica de uma importante variável que interfere na vida da população e no funcionamento da economia. A publicação mais recente produzida pelo Ministério de Minas e Energia é da base de janeiro de 2024 e trata-se do Boletim Mensal de Energia. Referido documento traz como um dos destaques o aumento de 31,1% no consumo do etanol automotivo, na comparação com o mesmo período de 2023.
Para o Ministério das Minas e Energia, a maior participação do combustível renovável é um sinal positivo para o país, pois demonstra a importância e o potencial do etanol brasileiro no processo de descarbonização do setor de transporte, com consequências benéficas ao meio ambiente, como a diminuição das emissões de CO2.
Os dados de janeiro também apontaram para uma redução do preço do etanol hidratado em cerca de 12%. O Ministério das Minas e Energia também apontou que o uso de energia em veículos leves, do ciclo Otto (gasolina, etanol e gás natural), também apresentou um aumento da ordem de 9,7%, puxado pelo maior consumo do combustível renovável.
Os dados que serão apresentados foram coletados no Boletim Mensal de Energia – BME que é um documento produzido pelo Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética – DIEE, que tem como objetivo acompanhar um conjunto de variáveis energéticas e não energéticas capazes de permitir razoável estimativa do comportamento mensal e acumulado da demanda total de energia do Brasil.
Um dado positivo do Boletim é que a proporção de participação de energias renováveis na oferta interna de energia aumentou para 49,1%, patamar superior ao do ano passado que foi de 48,1%, isto ocorreu em decorrência da maior geração de energia hidráulica.
Os dados acima, na base de janeiro/2024, são discriminados da seguinte forma, na oferta de energia: petróleo (34,3%), hidráulica (14,2%), produtos de cana (16,1%), gás natural (10,3%), lenha e carvão vegetal (8,3%), outras fontes renováveis e não renováveis (8,2%), carvão mineral (4,2%), solar (1,9%), eólica (1,8%) e urânio (1,4%).
Ainda sobre o quesito e energias renováveis, tema de atenção em todo o mundo, o Boletim relata que a produção de cana-de-açúcar, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), teve um aumento de 24,1% em relação à safra 2022/2023e com isso, o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e do milho, teve um aumento de produção de 15,0%, contribuindo para o fortalecimento de energias renováveis em nosso país.
Alguns dos demais destaques do primeiro mês de 2024, de forma setorizada foram os seguintes:
Petróleo e gás natural em alta – a produção de petróleo e de gás natural cresceram, apresentando avanços de 7,3% e 7,5% respectivamente, no acumulado do ano.
Metalurgia e mineração – no acumulado no ano, a produção de aço teve um pequeno aumento de 0,4% e as exportações de minério de ferro avançaram em 17,1%. Já a exportação de pelotas apresentou aumento de 38,4%.
Oferta de energia hidráulica em alta – a oferta de energia hidráulica apresentou alta de 2,1% no acumulado no ano. A média mensal foi de 56.450,0 MWmed. Já a oferta de Itaipu, para o mesmo período, avançou 25,6%.
Oferta de energia eólica em queda – a oferta de energia eólica, em janeiro de 2024, teve uma redução de 14% no acumulado no ano. No primeiro mês deste ano entraram em operação 422,0 MW de potência de usinas eólicas, valor 51% inferior ao do ano passado para o mesmo período.
Intercâmbio internacional de energia elétrica – em janeiro deste ano o Brasil exportou 444 MWmed para a Argentina, e 9 MWmed para o Uruguai.
Disponibilidade de gás natural em queda – a disponibilidade para consumo de gás natural apresentou queda de 5,8% no acumulado no ano.
Carvão mineral para geração elétrica – para o carvão mineral, houve um aumento de 10,8% para geração elétrica pública, no acumulado no ano.
Consumo de etanol automotivo em alta – seguindo a tendência observada nos meses anteriores, notou-se um aumento de 31,1%, no consumo do etanol automotivo, em relação à janeiro do ano anterior, sendo uma demonstração do enorme potencial do etanol brasileiro no processo de descarbonização do setor de transportes, o que tem consequências benéficas ao meio ambiente.
Consumo de eletricidade em alta – o consumo de eletricidade do setor residencial cresceu 15,0% em relação a janeiro de 2023. Já o consumo industrial aumentou 6,9% ao passo que o consumo comercial cresceu 10,3%.
Pelo apresentado e considerando-se que as pautas relacionadas ao setor energético possuem relevância para o planejamento estratégico das unidades federativas do Brasil, julgo que seria importante que as Secretarias Estaduais que cuidam da matéria em seus respectivos estados, informassem para a sociedade a oferta e a demanda mensal de energia para o devido planejamento do setor produtivo e residencial no consumo de energia. Este é um ponto que pode ser pauta do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Minas e Energia – FNSME.


