Além do mínimo

A valorização do salário mínimo, com reajustes anuais sempre acima da inflação, voltará a ser tratada como política pública. Ontem, o presidente Lula anunciou a criação de um grupo de trabalho para elaborar uma política permanente de valorização do piso.
Ainda há dúvidas a respeito do momento mais oportuno para resgatar a política implementada no auge dos governos petistas. O norte, no entanto, já está definido. O ministério do trabalho assumiu o compromisso de apresentar uma proposta o quanto antes, com um prazo inicial de até 45 dias.
Toda norma é erguida sobra uma intenção. A lei que deu efeito prático à política de valorização do salário mínio, por exemplo, foi criada no governo da presidente Dilma Rousseff, com a finalidade de ampliar o poder de compra do trabalhador. A ideia era muito simples: promover a distribuição de renda e, de quebra, aquecer a economia, tudo em uma tacada só. Infelizmente, desde quando coube ao presidente Bolsonaro definir o valor do mínimo, os reajustes anuais mal cobrem as perdas acumuladas com a inflação.
O trabalhador brasileiro transpira de sol a sol apenas para colocar comida na mesa. E quem afirma é o Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômico (Dieese), uma fonte acima de qualquer suspeita. Para quem sustenta uma família inteira com o salário de fome que recebe a alcunha de mínimo, os poucos tostões subtraídos por um mínimo conformado à inflação fazem muita falta, podem ser a diferença entre a subsistência e a fome.

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