Rian Santos
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Aniversário do jornalista Antonio Passos, lépido e faceiro aos 60 anos. Bebo bem, como igual a um rei. Ao contrário do alegre anfitrião, entretanto, eu não danço.
Passos, aos 60, um dândi de barba e cabelos brancos, todo no linho, encarna algo de uma salutar disposição para o melhor da vida. Família, amigos, livros e muita música compensam as adversidades com boa folga. O homem dança.
Vejo Passos dando voltas no salão, mãos dadas com as filhas – e transbordo de esperança. Enclausurado pela peste, durante a pandemia, ele esteve abatido, faltava-lhe ar atrás das portas fechadas.
Com o fim do distanciamento imposto pelo vírus, contudo, pouco a pouco, ele voltou a conviver com os entes queridos sem nenhuma reserva, conta boas histórias, esbanja simpatia. Firme e forte, Passos sofre apenas com o Flamengo.
Volto do aniversário de Passos determinado a tangenciar o meu destino por bom caminho. Também quero alcançar os 60 assim, inteiro, com uma boa playlist de memórias calorosas rodando em looping, na vitrolinha cansada do meu coração. Levo, então, as mãos aos joelhos podres: talvez ainda dê tempo.


