Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Um arrocha rasgado,
estridente como
uma noite de sábado na periferia de Aracaju, foi entoado ao vivo e a cores ao fim de um noticiário da TV Sergipe. Dois moleques cheios de marra abriram o berreiro no estúdio da emissora, no ponto mais alto do bairro Cidade Nova. A jornalista/apresentadora do SE TV – 1° edição não se conteve, foi tomada pelo impulso irresistível de mexer os quartos, teve de se balançar.
A performance inusitada ainda rende todo tipo de comentário nas veredas digitais. Forma e conteúdo chocaram os incautos. Uns protestam contra o "mal gosto" do número. Outros acusam o crime de apologia às drogas, atentos ao perigo guardado em versos que atualizam a música de corno e associam o vício mais degradante à saudade pungente – um lugar comum da Música Popular Brasileira, aliás. Dois argumentos cínicos, que se combinam e se completam. Cá para nós, o sergipano precisa se enxergar.
Longe de mim, gastar o meu escasso latim para defender os barões da mídia local, sair em defesa de uma subsidiária da toda poderosa vênus platinada. O episódio é mesmo lamentável. Em primeiro lugar, demonstra como o Jornalismo da emissora subordina o interesse público à força da grana. Depois, ainda mais grave, prova por A mais B que a fronteira entre notícia e espetáculo caiu por terra, sem choro nem vela. Nem uma lágrima foi derramada pelo compromisso sepultado com a notícia e a informação.
O arrocha da TV Sergipe só é motivo de espanto para os ingênuos. Agora mesmo, jornalistas profissionais celebram o retorno anunciado do Pré Caju sem acrescentar uma única vírgula ao discurso batido do empresário Fabiano Oliveira. Não importa mencionar o transtorno provocado pelos trios elétricos e camarotes distribuídos ao longo da avenida Beira Mar, décadas a fio; não importa o desvio milionário das verbas empenhadas pelo Ministério do Turismo no auge da festa. Ninguém apresenta um estudo capaz de comprovar o retorno econômico da prévia carnavalesca. Toma-se por certo que os tambores da Bahia atraem turistas e fica tudo por isso mesmo.
Nota à margem: Quando os dois capítulos descritos acima, exemplares da tacanha vida cultural Serigy, ocorreram, este jornalista que vos escreve gozava merecidas férias. Voltei. Ao contrário de alguns colegas, tenho a memória intacta.
Rian Santos
Um arrocha rasgado, estridente como uma noite de sábado na periferia de Aracaju, foi entoado ao vivo e a cores ao fim de um noticiário da TV Sergipe. Dois moleques cheios de marra abriram o berreiro no estúdio da emissora, no ponto mais alto do bairro Cidade Nova. A jornalista/apresentadora do SE TV – 1° edição não se conteve, foi tomada pelo impulso irresistível de mexer os quartos, teve de se balançar.
A performance inusitada ainda rende todo tipo de comentário nas veredas digitais. Forma e conteúdo chocaram os incautos. Uns protestam contra o "mal gosto" do número. Outros acusam o crime de apologia às drogas, atentos ao perigo guardado em versos que atualizam a música de corno e associam o vício mais degradante à saudade pungente – um lugar comum da Música Popular Brasileira, aliás. Dois argumentos cínicos, que se combinam e se completam. Cá para nós, o sergipano precisa se enxergar.
Longe de mim, gastar o meu escasso latim para defender os barões da mídia local, sair em defesa de uma subsidiária da toda poderosa vênus platinada. O episódio é mesmo lamentável. Em primeiro lugar, demonstra como o Jornalismo da emissora subordina o interesse público à força da grana. Depois, ainda mais grave, prova por A mais B que a fronteira entre notícia e espetáculo caiu por terra, sem choro nem vela. Nem uma lágrima foi derramada pelo compromisso sepultado com a notícia e a informação.
O arrocha da TV Sergipe só é motivo de espanto para os ingênuos. Agora mesmo, jornalistas profissionais celebram o retorno anunciado do Pré Caju sem acrescentar uma única vírgula ao discurso batido do empresário Fabiano Oliveira. Não importa mencionar o transtorno provocado pelos trios elétricos e camarotes distribuídos ao longo da avenida Beira Mar, décadas a fio; não importa o desvio milionário das verbas empenhadas pelo Ministério do Turismo no auge da festa. Ninguém apresenta um estudo capaz de comprovar o retorno econômico da prévia carnavalesca. Toma-se por certo que os tambores da Bahia atraem turistas e fica tudo por isso mesmo.
Nota à margem: Quando os dois capítulos descritos acima, exemplares da tacanha vida cultural Serigy, ocorreram, este jornalista que vos escreve gozava merecidas férias. Voltei. Ao contrário de alguns colegas, tenho a memória intacta.