Aos mestres

Amaral, há tempos...(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Alguns professores, nós os conhecemos longe das salas de aula. Amaral Cavalcante, por exemplo, sua cátedra era a mesa do bar.
Lembro do Teimonde, há vinte e tantos anos, quando a velha guarda da imprensa sergipana batia ponto ali, após o expediente. Altas horas, ninguém falava baixo. Amaral, no entanto, centro das atenções, só levantava a voz para arreganhar os dentes em sonora gargalhada. Era a deixa, anúncio do melhor argumento, o veredicto, sua última palavra.
Há quem ensine sem o saber. Certa vez, o professor João Costa me interpelou na reitoria da Universidade Federal de Sergipe. Eu levava algum romancista morto acoitado sob o sovaco. “Aproveite para adquirir Cultura enquanto é jovem”, ele aconselhou. “Depois, não haverá tempo”.
Ganhei muitos livros. Luciano Correia presenteou-me com as aventuras de Fernando Sávio, seu comparsa, edição rara, de poucos exemplares, magra e vagabunda, surrupiada depois por certo delinquente. Jozailto Lima municiou-me a biblioteca com a crítica iconoclasta de Marcelo Mirizola – o homem da quitinete de marfim. Gilvan Manoel, um gentleman, indicou-me a prosa elegante de Philip Roth, desde então merecedor das prateleiras mais altas.
Pecador e falho, precisei de muitos mestres, como se vê. Uns me ensinaram letras, outros me consolaram com um copo de cerveja nas madrugadas tristes de uma juventude esgarçada. Os maiores, entretanto, os conheço a pouco tempo. Falo de Inácio e Lorena, meus filhos. Estes me ensinam a ser gente.
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