* Rômulo Rodrigues
Aos poucos a Lei 9504/97 vai afunilando para a edilidade aracajuana dar um salto de qualidade com os adventos do fim das coligações e o fundo partidário com critérios bem rígidos e com isso os lançamentos de chapas sem cuidados essenciais, vão sofrer os rigores da lei.
As expectativas do ano que vem são diferentes das daquele que passou, visto que em 2020, 26 blocos partidários disputavam as nadas desprezíveis cadeiras do parlamento municipal da capital, para eleger 25 ocupantes que chegaram lá com um somatório de pouco mais de 78 mil votos de um total de quase 280 mil, ou seja, pouco mais de 25% dos eleitores e eleitoras, elegeram o plenário da casa.
As especulações do momento trazem registros de que a cidade poderá crescer no número de cadeiras, passando das atuais 25 para 27 em razão do último censo demográfico, feito em 2022.
Caso aconteça a alteração o provável quociente eleitora terá significativa mudança saindo dos prováveis 12.500 votos para 11.100 votos o que favorecerá bastantes os partidos menos votados.
O que não deverá alterar será o número de agremiações partidárias que o andar da carruagem sinaliza para algo em torno de 14 na disputa.
A analogia mais simples, deixando de lado a hipótese de mudança no número de cadeiras, dá para fazer substituindo o órgão dirigente eleitoral pela Central de Abastecimento e, os votos por laranjas, por exemplo.
O cenário passa a ser esse: a Central de Abastecimento abre os portões às 8 horas do primeiro domingo de outubro de 2024 e começa a receber as cargas de laranjas devidamente fiscalizadas e dentro do padrão eleitoral.
Pontualmente às 17 horas, fecha o portão para entrada de laranjas, permitindo a entrada para os 14 grupos de feirantes devidamente credenciados e dispostos a adquirirem as 24 estatuetas que serão entregues conforme os desempenhos grupais catalogados de 1 a 14.
Digamos que o grupo 1 tenha descarregado 37 mil laranjas; isso lhe dará 2 estatuetas e um crédito de sobra de 12 mil unidades do produto descarregado.
Grupo 2, apresenta comprovante de 49 mil laranjas; isso lhe dará 3 estatuetas e uma sobra de 11,5 mil laranjas.
Grupo 3, comprova que entregou 46 mil laranjas; isso lhe dá 3 estatuetas e uma sobra de 8,5 mil laranjas.
Grupo 4, comprova que entregou 56 mil laranjas; isso lhe dá 4 estatuetas e uma sobra de 2 mil laranjas.
Grupo 5, comprova a entrega de 26 mil laranjas; isso lhe dá 2 estatuetas e uma sobra de 1 mil laranjas.
Grupo 6, comprova a entrega de 14 mil laranjas; isso lhe dá 1 estatueta e uma sobra de1,5 mil laranjas.
Grupos 7, 8, 9 e 10 ficam nas faixas entre 10 e 11 mil laranjas e acrescentam 42 mil laranjas ao total e conseguem pelo critério dos 80% do quociente eleitoral e 20% obtido por 1 feirante de cada grupo, a conquista de 1 estatueta,completando a distribuição de 21 estatuetas, ficando 3 a serem distribuídas com os que têm as maiores sobras, ficando assim a distribuição;
Grupos 11, 12, 13, 14, nenhum deles atinge os 80% mas somam 30 mil laranjas e ficam sem representação no parlamento municipal.
Esses números são uma hipótese, que só serão devidamente comprovados quando da real apuração dos votos no começo da noite do dia da eleição, mas dando uma olhada no retrovisor, enxergando 2020 dá para ver que dos 26 partidos e coligações que disputaram as eleições proporcionais, somente 16 elegeram vereadores e dos quase 280 mil votos válidos, a bancada eleita para o exercício 2021/2025 teve um total de apenas 72.310 votos e desse total, depositários de 13.969 não estarão na disputa vindoura, o que atesta que milhares de votos se perdem no vento.
O fator que tende a ser determinante será o protagonismo da mulher no cenário eleitoral que, ao que tudo indica a disputa majoritária será favorável a uma delas.
Na disputa proporcional o salto de qualidade necessário para fazer Aracaju avançar na relação republicana entre legislativo e executivo estará consagrado com a eleição de uma expressiva bancada feminina.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

