Mesmo com todos os avanços promovidos pelo Estatuto do Desarmamento, soterrado depois pela política armamentista do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil sempre teve um verdadeiro arsenal em mãos da bandidagem. Se o poder de fogo em poder dos marginais não é novidade, contudo, surpreendem, hoje, a ousadia e o alto coturno dos criminosos que enfrentam a polícia no calor da bala, armados até os dentes.
A delinquência a que chegou o ex-deputado Roberto Jefferson, ao resistir a um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal, com tiros de fuzil e granadas, não tem precedente. A sua foi decretada em agosto o ano passado, em função de sua participação na organização criminosa que visa “desestabilizar as instituições republicanas”, segundo sentença do STF.
Em janeiro deste ano, por motivos de saúde, ficou acordado que o ex-deputado seguiria em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Jefferson estava proibido de usar as redes sociais e de dar entrevistas, mas ignorou as proibições determinadas pela Justiça. O ministro Alexandre Moraes pediu, então, a prisão do ex-deputado pelo descumprimento contínuo das medidas cautelares. O marginal respondeu na bala.
Os tiros disparados por Jefferson podem ser considerados o ponto alto da política de segurança do presidente de Bolsonaro. Investigações policiais em quatro estados apontam a atuação de indivíduos com registros de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) a serviço do crime organizado. O número de armas e munições em posse de CACs explodiu sob o governo Bolsonaro, que passou de 350 mil armas compradas em 2018 para mais de um milhão esse ano. E o presidente em campanha pela própria reeleição tem orgulho desses números.


