A sensibilidade social do governo Jair Bolsonaro emergiu de vez, justamente às vésperas do escrutínio eleitoral. Ontem, o presidente sancionou mais uma lei destinada a socorrer os brasileiros em situação de vulnerabilidade econômica. O auxílio criado a fim de subsidiar o consumo do gás de cozinha, no entanto, não tem o condão de transformar a realidade.
Sob Bolsonaro, imperativo lembrar, todos os indicadores econômicos e sociais traduzem a depreciação da qualidade de vida. Dólar alto, inflação descontrolada, insegurança alimentar, desemprego, afligem grande parte da população. Com a escalada dos preços de combustíveis e derivados do petróleo, o próprio gás de cozinha virou artigo de luxo.
Sem outro recurso, muitos brasileiros recorrem hoje à lenha e o carvão, sob risco de vida. Segundo pesquisa do IBGE, 1,2 milhão de famílias precisam fazer como os homens das cavernas para alimentar o fogo na cozinha. Isso, quando há o que botar na panela.
Os aumentos constantes no preço de gás e combustível, fixados pela Petrobrás, provam que o incentivo à produção e o consumo, uma das estratégias mais simples de enfrentamento às crises econômicas, jamais foi considerado pelo Governo Federal. Não há investimento. Não há disposição de impulsionar o crescimento, a longo prazo. Para Bolsonaro é mais cômodo liberar grandes somas de recursos públicos para os deputados aliados, sob a rubrica suspeita de um orçamento secreto, distribuir migalhas para o populacho. Eis a estratégia traçada a fim de pavimentar o caminho até a sua reeleição.


