As festas de Mitidieri

Paredão, axé e arrocha (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Não há no mundo duas pessoas tão diferentes quanto este jornalista e o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri. Não nos misturamos, simplesmente, temos natureza diversa, água e vinho.
No exercício da profissão, travei embates com oponentes munidos de calibre variado. E não poderia ser diferente. No trato com gente poderosa, sou do contra. Alguma admiração, no entanto, transparece, por vezes, nas entrelinhas da crítica.
João Alves Filho, por exemplo, foi um governante de inegável capacidade realizadora. Marcelo Déda, por sua vez, era dotado de sensibilidade rara. E mobilizava céus e terras por meio de retórica poderosa, a fim de fazer do discurso bem alinhavado um insuspeito instrumento de transformação.
Cito os maiores, à sombra dos quais Mitidieri é ninguém. Este acabou eleito, apesar de derrotado nas urnas. E, como governador, distribui sopapos, insulta, afronta.
Passo os olhos sobre a programação do Itabaiana Festival, uma investida descarada sobre o berço do principal oponente do governador. E me impressiono, uma vez mais, com o rebaixamento artístico dos chamados grandes eventos.
Em passado recente, quando o poder público local resolveu impulsionar a economia por meio do circo, os palcos serviam de plataforma para a Cultura nativa. Falou-se muito em uma tal economia criativa.  Agora, sob Mitidieri, triste fim, as festas promovidas pelo governo do estado são animadas por paredão, axé e arrocha.
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