Uma operação da polícia sergipana, com resultado de sete suspeitos por tráfico mortos em confronto, chama atenção para o alto índice de letalidade policial no estado. Um dado preocupante, que sublinha a diferença evidente entre os princípios da Justiça e pendor para o justiçamento.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, os mortos estavam entre os alvos de uma operação deflagrada na manhã desta quarta-feira, na cidade de Cristinápolis, no extremo sul de Sergipe. Em nota, a pasta informou que os sete homens mortos pertenciam a uma facção criminosa e trocaram tiros com os policiais que participam da Operação Cristinápolis Segura. Na mesma ação policial, outros dois investigados foram presos.
A polícia sergipana dispara a torto e direito. Eis o que sugere levantamento realizado pelo Monitor da Violência, a partir dos casos de confronto policial seguidos de morte notificados ao longo de 2020. De acordo com os dados oficiais, há poucos lugares no Brasil onde conflitos com a ordem são resolvidos no calor da bala com tanta frequência, como em Sergipe.
Sergipe foi o segundo estado com o maior número de mortes durante confrontos policiais no ano de 2020. Segundo a pesquisa, o estado registrou a taxa de 8,5, ficando atrás apenas do Amapá com 12,5. A Bahia ficou em terceiro com 7,5, seguida de Rio de Janeiro com 7,1 e Pará com 5, por 100 mil habitantes.
Este é um problema grave e de abrangência nacional. Via de regra, onde falta qualificação técnica abunda o puro ímpeto, o voluntarismo. Este é justamente o caso de Sergipe. Infelizmente, a polícia local não está preparada para lidar com situações delicadas e apela sempre para o último recurso. Atira primeiro, pergunta depois.


