BRASIL, SOB NOVA DIREÇÃO

Vânia Azevedo

Assim o Brasil começa o ano, em um cenário desolador, que só não é mais triste porque o pior Presidente do Brasil, Bolsonaro, já não mais aterroriza as nossas vidas, recolhendo-se junto com os seus metralhas para os quintos dos infernos; deixando em nós o gosto amargo das perdas sentidas pelo desmonte do Ministério da cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, com destaque para o desmonte do Ministério da Educação e as condições inviáveis de se praticar uma educação de qualidade, devido aos parcos recursos liberados nos últimos quatro anos.
Chegar à universidade sempre foi o sonho de maioria dos jovens estudantes brasileiros, especialmente aqueles que que não tiveram o privilégio de nascer de uma família abastada, e não demora a perceber que o estudo pode mudar a sua realidade financeira e de sua família. Até que, como um sonho, a partir dos mandatos de Luiz Inácio (Lula) da Silva, o Céu tornou-se o limite para que jovens de todas as classes sociais alçassem um voo antes impensável: cursar uma universidade (atémesmo no exterior),que contribuiria para uma formação com mais qualidade.
Contudo, tamanha dádiva incomodava demais àqueles que estavam acostumados,(ou seja, indignados) por verem queesse nivelamento de oportunidades que até então era prioridade de uma minoria “bem nascida”, passara a ser acessível a pobres e pretos.
Todavia,os que tiveram a infelicidade de estar na universidade no período que compreendeu o mandato de Bolsonaro (marcado pelo obscurantismo), tiveram muito a perder, especificamente no que diz respeito ao período da pandemia da Covid. O negacionismo paralisou a nação retardando a implementação de medidas assertivas e impedindo que o funcionamento de escolas e universidade públicas tivessem prejuízos minimizados, no que diz respeito às perdas no aproveitamento pedagógico. Trata-se de um período nebuloso que remonta à morte da educação nesse país, ocasionada por uma gestão equivocada que legalizou cursos superiores pelo Brasil a fora sem condições físicas ou técnicas de funcionamento, permitindo cada vez mais o declínio da educação no país, com destaque para os cursos de medicina.
Ainda em relação às universidades, sobraram dias de penúria, onde nem mesmo havia subsídios para atender as necessidades básicas (como dispor de recursos para saldar débitos atrasados de água e energia elétrica), em função do corte de verbas essenciais. Enquanto isso, espúrias travestidos de pastores, alinhados ao famigerado presidente, davam as ordens no MEC, negociando verbas (e favores) em troca de barras de ouro; quando não, valores eram estipulados para a liberação dessas verbas, negociadas quase sempre em bons restaurantes, local inspirador para saciar a fome de poder e ganância da corja de falsos pastores.
Enquanto isso as atividadesnas Universidades Federais estiveram suspensas por diversas vezes, visto que sem alimentação seria impossível a frequência de expressivo número de alunos que dependiam do funcionamento do RESUN (restaurante universitário)para ocomparecimento. E não era só isso.Enquanto a bancada evangélica leiloava as verbas da educação e a bancada do agronegócio faziam a farra do boi (festejando os generosos incentivos dos seus parceiros no poder), os nossos pesquisadores sofriam as consequências da ignorância de um decrépito no poder: a impossibilidade de darem continuidade a pesquisas de grande relevância científica para o progresso da ciência,dada a suspensão de verbas antes destinadas a essa área. Muitos deles deixaram o país a contra gosto, levandoconsigoalém da imensa frustração, a decepção de abandonar a sua terra, porque o Brasil não só inviabilizava a permanência desses pesquisadores no país, como o próprio Bolsonaro, na sua insipiência, fazia chacota da ciência com cenas bem compatíveis a sua figura patética, própria de alguém que ocupava um lugar para o qual jamais reuniu condições:uma versão medonha deSasáMutema dos tempos atuais.
Sabemos quede imediato não haverá grandes investimentos. Todavia, acreditarmos que haverá um esforço imensurável para que crianças ejovens desse país frequentem a escola,continuamente, viabilizando o retorno dos que abandonaram os estudos desde a pandemia, é tão necessário quanto tirar as Universidades Públicas da condição de indigência a que foi submetida nos últimos quatro anos.
Por fim, para além acreditamos na evidência de novos recursos,que novas políticas públicas deverão ser implementadas e, conforme as demandas, sob a supervisão de um quadro técnico qualificado, será possível a reestruturação institucional do MEC (sobrevivente desse ataque de saqueadores oportunistas), e a educação voltará a ser uma prioridade, como outrora demonstrou o Presidente da República que ora assume, em momento providencial.

Vânia Azevedo é professora.

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