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BULLYING, UMA PERVERSA REALIDADE


Publicado em 25 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Vânia Azevedo

Embora a escola tenha uma participação considerável nas questões relacionadas ao comportamento da criança nas séries iniciais, nem sempre é possível prepará-la para situações do dia a dia, posto que, a família tem um peso determinante nas informações que a criança recebe, seja para o bem ou para o mal. Partindo desse princípio é que somos instados a acreditar no papel do educador enquanto elemento transformador, na adoção de uma abordagem mais incisiva no que tange as relações interpessoais(atentando para as ofensas e humilhações que caracterizam os casos de bullying), onde o respeito seja entendido como valor indeclinável na formação dos jovens; se contrapondo a falsos conceitos ou demonstrações preconceituosas protagonizadas pelos pais; atitudes que suscitam a manifestação dos casos de bullying na escola.
Para além disso, surpreende as cenas de racismo cada vez mais frequentes nos estádios de futebol (e mesmo em ginásios de esporte), ocasionalmente acompanhadas de impropérios dirigidos a jogadores negros que impactam a literalidade infantil das emoções. Não se trata apenas de torcedores emblemáticos. São indivíduos raivosos (muitos deles pais), disseminando ódio e fazendo emergir toda a pobreza do seu caráter fascista com tendências racista, homofóbica e até mesmo xenofóbica; protagonizando cenas degradantes que fazem transbordar toda truculência que os definem; sobretudo com o poder de envergonhara família, ou até mesmo encorajar crianças a reproduzirem o ódio que transcende às imagens.
Partindo desse princípio emerge uma reflexão que, significativamente, nos conduz à reflexão: crianças não nascem racista, preconceituosa, maldosa ou invejosa. Subentende-se que as origens de determinados comportamentos, especificamente em crianças, procedem de narrativas a que estiveram expostas no seu convívio familiar, que, consequentemente, vão moldando-as e transformando-as em criaturas preconceituosas e até mesmo perversas.
Todavia, por mais que se tente ignorar, inevitavelmente esse contexto conduz à grande incidência de bullying na escola – terreno fértil e abundante em ofensas – que referendam amplamente essa constatação. Quando as atitudes de preconceito – nem sempre velado -, ocupam os espaços escolares, os praticantes encontram na omissão dos profissionais (os professores) aliados em potencial. É responsabilidade, sim, desses profissionais coibirem o bullying tomando as medidas necessárias (inclusive notificando os pais), para que os transgressores sejam devidamente punidos – antes que tragédias silenciosas ampliem as estatísticas que já ocorrem em larga escala, ou em consequência deste, no ambiente escolar.
Não por acaso o Brasil é apontado, conforme pesquisa do Instituto Ipsos, como o segundo país com maior incidência de casos de bullying e cyberbullying, ficando atrás apenas da Índia. Em virtude do agravo, a Lei 14.811 acrescentou o artigo 146-A ao Código Penal, tipificando a prática do crime de bullying como ação individual ou em grupo, de intimidar, sistematicamente, “mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais sociais, psicológicas, físicas, matérias ou virtuais”.
A rigor é a escola que tem responsabilidade sobre os alunos enquanto se encontram em seus limites. Portanto, não se pode tolerar comportamentos agressivos ou a contumaz perseguição velada seguida da obscena alegação de que “é brincadeira deles”. Esse descaso só contribui para que vítimas de bullying desenvolvam sentimentos de revolta e frustração incontrolável, com sérias consequências para a vida adulta.
Nesse contexto, já que o caráter extemporâneo de alguns pais não pode ser corrigido, ainda há tempo para que a escola contribua efetivamente para uma educação de qualidade (não exclusivamente de rendimento como ocorre atualmente), onde as corretas observações dos costumes estejam implícitas na orientação pedagógica do educando.

* Vânia Azevedo é professora

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