Rian Santos
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Para o grosso dos sergipanos, Valmir de Francisquinho é só uma liderança política egressa do agreste, com o trunfo de uma gestão municipal bem avaliada pela população de Itabaiana. Pouco se sabe do sujeito. Mas o jeitão autêntico, meio duro, meio jeca, desperta simpatia generalizada e o credencia a bater de frente com o governador Fábio Mitidieri.
Para o governo de turno era imperativo “queimar” Valmir. E isso de ser muito espontâneo, uma marca pessoal do itabaianense, facilita o trabalho.
Entrevistado por um radialista, meses atrás, Valmir de Francisquinho falou uma grande bobagem, mostrou a sua pior face, talvez, falou como um homem bruto, formado em outro tempo. Meteu os pés pelas mãos.
Segundo Valmir, depreende-se de suas palavras, o exercício político não se adequa ao temperamento do mulherio. Questionado por um radialista sobre a possibilidade de sua esposa disputar um mandato, ele foi enfático: “Mulher e política? Esqueça!”.
Logo ele, aliado da prefeita Emília Corrêa! O depoimento imperdoável de Valmir remete aos versos de Drummond nos quais o eu lírico do poema se diz preso a suas roupas e a sua classe. Machista, sim! Capaz de comentários misóginos, resta provado! Como, aliás, grande parte dos homens de sua geração.
Valmir de Francisquinho não é, certamente, o único machista no páreo. Sem filtros, no entanto, mostrou uma face inconveniente para o próprio projeto político. Os profissionais de sua campanha têm agora a ingrata tarefa de remendar-lhe a cerca dos dentes. E correr atrás do prejuízo.


