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COLHEITAS FARTAS E CONTRADIÇÕES TAMBÉM [II]


Publicado em 18 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Pedro Abel Vieira & Manoel Moacir Costa Macêdo

A receita da Revolução Verdade adotado no processo produtivo agrícola brasileiro, não erradicou a fome no Brasil, e nem no mundo, ao contrário agravou as externalidades sociais, ambientais e econômicas. A insegurança alimentar, atingiu mais de cem milhões de brasileiras e brasileiros. A produção agrícola baseada em insumos químicos, sintéticos e mecânicos, restringiu ao processo produtivo, mais de sessenta milhões de hectares de terras, que requerem cuidados ambientais à sua inserção na produção.
Na perspectiva produtivista, a realidade dos agricultores familiares, incluídos o modo de produção, história, identidades sociais e antropológicas foi tipificada como tradicional e inadequada aos sistemas de produção modernos, intensivos em capital e liberadores de trabalho. Essas foram as prioridades à produção agrícola brasileira, iniciadas na década de setenta sob a batuta do governo militar, que tinha como lema: “exportar é o que importa”.
Pesquisa pública liderada pela EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, líder do histórico SNPA – Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, onde assentavam universidades, organizações estaduais de pesquisa agropecuária, cooperativas e estruturas privadas, sustentou a demanda por tecnologias modernas. Não faltou assistência técnica coordenada pela então EMBRATER – Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural e nem o crédito rural subsidiado do Banco do Brasil, o banco público, das prioridades à produção agropecuária.
O conjunto das políticas públicas de pesquisa, crédito e fomento à agricultura brasileira, foi fartamente apoiado por organizações internacionais, a exemplo do Banco Mundial, BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento e BIRD – Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento. Estímulos, apoio e incentivos à produção e produtividade das lavouras e criações, ao deslocamento da fronteira agrícola e, consequentemente, a especulação imobiliária, sem atentar à problemática ambiental e social.
A agricultura brasileira, na trajetória da teoria econômica clássica, tem sido especializada na produção de específicos grãos e carnes, as chamadas commodities. Como consequência, restam ao Brasil, milhões de hectares antropizados e com baixa aptidão ao modelo produtivo vigente. Eles comprometem a produtividade da agricultura, e não contribuem para minimizar as causas dos eventos climáticos extremos. É tempo de aprender com os erros e contradições.
Na atualidade, merece registro o esforço na recuperação de áreas degradas como um importante vetor para o desenvolvimento do Brasil. Além de minimizar os danos ambientais, contribui para a mitigação dos eventos climáticos extremos. Ademais, incorpora à produção agrícola, áreas ditas imprestáveis, promove a diversificação da produção agrícola, gera empregos e promove a justiça social.
O caminho percorrido no processo produtivo e contemporâneo da agricultura brasileira mostra a sustentabilidade oscilando entre as dimensões ambiental e social, tendo a dimensão econômica como a variável de ajuste. Nesse sentido, merece atenção a dialética entre os profetas da produção linear agrícola e os defensores do modo de produzir, conservar e preservar. Somente assim teremos colheitas fartas e limitadas contradições.

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo são engenheiros agrônomos.

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