Entre todos os argumentos contrários aos programas de transferência de renda, o mais raso aventa a criação e manutenção de uma indústria eleitoral movida a famintos. Levantamento recente demonstra justamente o contrário: com o passar dos anos, milhões de brasileiros assistidos pelo Bolsa Família superam a pobreza.
Estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Banco Mundial, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, aponta que 3 milhões de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família deixaram a pobreza, somente este ano.
De acordo com a pesquisa, em janeiro de 2023, havia 21,7 milhões de famílias inscritas no programa – 4,5 milhões eram consideradas pobres. Em setembro, são 1,5 milhão de famílias na pobreza entre os 21,2 milhões de beneficiários.
Em um País incapaz de oferecer uma oportunidade a quase dez milhões de desempregados, a fome é um dado da realidade. Não há, nos quatro cantos do Brasil, município a salvo da fome. Só em Sergipe, 399 mil famílias foram atendidas pelo Bolsa Família, em setembro. São dezenas de milhões em recursos do governo federal injetados direto nas veias da anêmica economia local. Dezenas de milhões de motivos, em suma, para os sergipanos exaltarem o programa.


