De novo, o Pré-Caju!

O dono da festa(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
Jamais recebi qualquer mimo da Associação Sergipana de Blocos e Trios (ASBT). Não devo cortesias ao empresário Fabiano Oliveira. Estivesse tudo em ordem, portanto, o Pré-Caju seria agraciado com a minha completa indiferença.
Infelizmente, não é assim. Sem o “apoio logístico” (com ênfase nas aspas) do poder público local, a festa de Fabiano não se pagaria.
Cabe ao governo de Sergipe, mais a Prefeitura de Aracaju, mobilizar todo o aparato da administração pública para realizar o tal Carnaval fora de hora. É assim desde sempre. A recompensa, segundo o argumento repetido pelo governador de turno e o prefeito de plantão, viria em forma de turistas e tributos.
Se é assim, mesmo, algum ente competente deveria se prestar à comparação do investimento milionário realizado ao longo dos anos, mais de três décadas, com o crescimento do turismo em Sergipe, no mesmo período.
Não se trata de qualquer dois mil réis, isso é certo. Mesmo assim, o aeroporto de Aracaju tem ainda o mesmo ar acanhado de uma rodoviária esvaziada.
Morador da Atalaia, passeio pela orla todos os dias. Vejo as bandeiras de cores estridentes, anunciando o grande evento. Vejo o esqueleto feio dos camarotes. Frequento bares e restaurantes, tão cheios quanto sempre estiveram. Vejo isso sim, turistas pacatos, em busca de tranquilidade, os mesmos de todos os meses do ano.
Eu nunca estive na fila do abadá. Não devo nada a Fabiano Oliveira. Assim, faço questão de lembrar, na primeira oportunidade: o Pré Caju é uma festa particular, promovida com o fim de gerar lucro. Trata-se aqui de um evento elitista, avesso à verdadeira participação popular e ao interesse público. Ponto final.
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