EDITORIAL: Orçamento e desigualdade

Os investimentos globais no SUS caíram 34,7% no orçamento da Saúde de 2025

A transferência de recursos da União para os municípios por meio de emendas parlamentares obedece mais a relações políticas do que a critérios técnicos – e funciona, assim, como um agravante de desigualdades.
Segundo levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, um naco substancial do orçamento público, em mãos de deputados e senadores, ignora a realidade do SUS. Investe-se mais em material de escritório do que em equipamentos médicos.
Na Atenção Primária à Saúde, segundo relatório do Instituto, 65,7% dos equipamentos financiados por emendas individuais em 2025 – 62.788 dos 95.598 itens- pertencem à categoria “Infraestrutura e Material de Escritório”. Equipamentos de saúde de baixo custo, como eletrocardiógrafos, correspondem a 27,9% dos itens.
Esse cenário se soma a uma queda geral nos recursos: os investimentos globais no SUS caíram 34,7% no orçamento da Saúde de 2025. As emendas parlamentares, por outro lado, ganharam peso no financiamento do sistema -em 2024, representaram 22% de todo o investimento no SUS, tendo chegado a 77% em 2020, no início da pandemia de Covid.
Eis aqui apenas mais um dos efeitos perversos do sequestro perpetrado pelo Congresso Nacional. Na prática, na ponta do lápis, os parlamentares que alegam maior conhecimento da realidade dos municípios brasileiros estão boicotando o SUS.
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