Edvaldo na fila do abadá

Edvaldo foi barrado no palanque de Mitidieri (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Sem querer, querendo, o jornalista Marcos Cardoso pode ter adivinhado o futuro político de Edvaldo Nogueira, ainda sem papel relevante na disputa vindoura pelo Governo de Sergipe.
Em artigo muito comentado, o colega observa que o ex-prefeito de Aracaju foi esquecido na fila do abadá, sem rumo, sem acesso ao palanque do governador Fabio Mitidieri. Assim, sua única alternativa seria voltar às origens e enfrentar de novo os conservadores, um embate corpo a corpo, pé no chão, sem os privilégios dos camarotes.
Edvaldo endireitou-se, é verdade. Ainda assim, conserva traços de uma inegável trajetória progressista. Na falta de outro nome viável para compor uma chapa mais inclinada à esquerda, caberia ao comunista renegado engrossar as fileiras da oposição e empunhar a zabumba contra a direita festeira da aldeia.
Marcos Cardoso lembra, no passado de Edvaldo, a postura à esquerda deu muito certo.
“Edvaldo Nogueira foi eleito vice-prefeito ao lado de Marcelo Déda em 2002 e 2006, depois se elegeu prefeito em 2008 na companhia de Silvio Santos, do PT, como vice. Repetindo a dobradinha histórica, em 2016, quando voltou a concorrer ao cargo de prefeito de Aracaju, ainda pelo PCdoB, Edvaldo teve o apoio do PT de Eliane Aquino, que foi sua vice-prefeita. Nas eleições estaduais de 2018, estavam juntos na eleição de Belivaldo Chagas, com Eliane compondo a chapa como vice-governadora”.
Os arroubos grosseiros do governador Fabio Mitidieri não deixam o eleitor esquecer: o sujeito é direitoso de pai e mãe, desde o berço de ouro. Vota em Lula, feliz da vida, ele jura de pés juntos. Mas o faz movido por pura conveniência.
Mitidieri realiza uma gestão medíocre. Com os cofres do estado abarrotados, sem oposição digna da alcunha, contudo, o governador tem chances muito razoáveis de reeleger-se sem esforço. Um inesperado palanque adversário, erguido por uma aliança entre o PT e o PDT, pode arrastar uma pipoca entusiasmada, jamais vista nas micaretas sem graça do governador.
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