Rian Santos
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Henrique Teles, aqui sempre evocado em função do trabalho autoral realizado com a banda Maria Scombona, é também filho orgulhoso do seresteiro Antonio Teles. Assim, as lacunas rasgadas na memória da noite sergipana o ferem e o ofendem pessoalmente.
Henrique fala por si mesmo. O legado de um artista, no entanto, ultrapassa os laços de sangue. Esta é uma herança compartilhada com uma população inteira.
Os cabarés, as serestas, o Beco dos Cocos, a boemia serigy, em suma, tudo isso é História, mas carece de registro. Virado em arqueólogo, mais uma de suas facetas, às voltas com jornais do século passado e rolos de fita K7, Henrique Teles está empenhado em resgatar a voz da noite sergipana, a bem da aldeia inteira.
O esforço ainda está em vias de ser plenamente recompensado, mas já rende frutos. No dia 23 de abril, justamente o Dia Nacional do Choro, a prefeitura de Aracaju entregou um busto do seresteiro Antonio Teles, ali ao lado do saudosista Beco dos Cocos. O lançamento do tão esperado primeiro álbum do sersteiro não há de tardar.
Intitulado “Meu Canto é Livre”, o álbum terá a voz original de Antônio Teles, extraída de antigos registros, com novos arranjos feitos pelo maestro James Bertisch, e a colaboração fundamental do Grupo Brasileiríssimo. Quem teve a sorte de ouvir em primeira mão, como este jornalista, afiança que a longa espera vale a pena.
“Durante quase 40 anos guardei uma fita K7 e os vídeos deixados por Antônio Teles com o sonho de um dia transformar aquilo em álbum”, conta Henrique Teles.
Eu, de minha parte, comemoro o seu cuidado de filho zeloso e arremato a peleja de tantos anos com sincero e simplório “Ainda bem”.

