O orçamento secreto, o instrumento adotado pelo governo Jair Bolsonaro para negociar apoio no Congresso Nacional, foi declarado ilegal pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ato contínuo, parlamentares de todas as matizes ideológicas, tanto na câmara como no senado, articulam estratégias para seguir manejando as verbas públicas, à revelia do poder executivo, com chances palpáveis de emendar a Constituição. Eis o buraco.
Após veto do STF, Congresso quer emendas de relator na Constituição. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), passaram o dia discutindo com líderes partidários possíveis soluções para o problema. Nãompretendem abrir mão da bufunfa, orçada em bilhões.
As emendas de relator, oficialmente chamadas de RP-9, são responsáveis pela distribuição de cerca de R$ 19 bilhões em serviços e obras pagos por verbas públicas. São concedidas pelo relator do Orçamento e pelos presidentes das duas Casas do Congresso sem que se saiba o nome do parlamentar autor da proposta. Um ascinte. Daí o apelido de Orçamento Secreto.
A gestão ainda de turno é a mais turva. Entretanto, como todo incompetente rematado, o presidente brasileiro se escora em um bode expiatório. Segundo ele, as acusações de corrupção que pesam sobre o clã presidencial, a relação venal no trato com o Congresso, as dificuldades fiscais, a perda de influência no cenário internacional, o desemprego e as mortes provocadas pelo coronavírus, tudo seria culpa da imprensa. Em pleno exercício do cargo, sobre as suas costas não pesaria nenhuma responsabilidade. Absolutamente nenhuma.


