Rian Santos
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Já é junho. Os maiores eventos do calendário festivo local atraem multidões de forrozeiros indiferentes ao cancioneiro nordestino.
Já é junho. O poder público enche a boca com os números do sucesso, recompensado com o volume superlativo dos tabaréus de boutique atraídos por falsetes de arrocha e os truques baratos do forró de plástico.
É junho. Enquanto uns comemoram, contudo, outros choram de saudade. O São João da sanfona, da pólvora e da fogueira na calçada, à porta das casas, tende a desaparecer, ofuscado pelos holofotes dos palcos. A festa das memórias mais felizes não existe mais.
Junho virou enfeite. Bandeiras coloridas, remendos e retalhos, os adereços da alegria, perduram em peças de propagada, vitrines e cenários. Sanfoneiro como Mestrinho, antes dono da festa, agora não passa de mero convidado.
Já é junho. Luiz Gonzaga, Dominguinhos, acenam de longe, muito longe, bom danado.


