Rian Santos
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Leio os obituários que lamentam a perda de colegas da velha guarda, textos de toda sorte: contidos, comovidos e até comoventes. Leio e sinto o hálito acre da indesejada das gentes.
Temo por mim, com dois filhos ainda muito pequenos. Temo, também, por meus amigos. Faz tempo que a minha turma dobrou o Cabo da Boa Esperança.
Um dia desses, sob o pretexto de prestar um depoimento a respeito de minha breve passagem pelo alternativo Folha da Praia, fui de novo à casa de Luciano Correia, onde fui recebido pela equipe do documentário. Embora fosse o único homem calvo do lugar, do alto de meus quarenta e poucos anos, era também o mais jovem.
Nem por isso, estou à salvo. Quando Amaral Cavalcante, editor do Folha, partiu desta pra melhor, senti- me um tanto mais solitário. Depois partiram outros, gente com quem bebi e brindei, levado pelos mais velhos. Hoje, procuro a quem ciceronear e convidar para sentar à mesa. Não há ninguém.
Aceno a Amaral, a Cleomar, a tantos outros. Aceno também a quem fica. Do lado de cá, há riso e lágrimas, como sempre. Entre mortos e feridos, estamos todos bem.


