Envelheço na cidade

À saúde dos amigos (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Um amigo de longa data completou ontem 48 anos. Sim, muita água passou embaixo da ponte, nota-se nos cabelos brancos. Em sua fisionomia, no entanto, algo de essencial permanece intocado, como um segredo jamais pronunciado ante as indiscrições do tempo.
Envelheço na cidade, atento às pessoas e a paisagem. Vi um caminho se erguer sobre o leito do rio, mais rápido do que a travessia mansa de um barco tototó. Assisti ao velório de homens considerados muito poderosos, subitamente tão indefesos quanto qualquer trabalhador. Testemunho, agora, um vácuo de liderança capaz de viabilizar as ambições mais mesquinhas, tomado pelo espanto.
Admito, a contragosto: João Alves Filho não foi qualquer um. Marcelo Déda, muito menos. Cada um a seu modo, eles encarnaram o ideal de um destino a ser cumprido. Ninguém entre os seus sucessores, no governo de Sergipe ou na prefeitura de Aracaju, está à altura dos dois.
Viro a cabeça, da esquerda para a direita: Rogério Carvalho, Marcio Macêdo, Edvaldo Nogueira, Fabio Mitidieri, Emília Corrêa são personagens nanicos, medíocres. Surpreendê-los em posição de comando, com incidência notável na vida de tanta gente, triste sinal dos dias, dói-me mais do que a calvície. Apesar de tudo, a despeito de tantos caciques, a aldeia permanece.
Envelheço na cidade onde nasci e brindo à saúde de velhos amigos. O tempo não tem sido sempre gentil. Mas ainda bebemos bem.
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