Erika Hilton para presidente

Beleza e inteligência na Câmara Federal (Divulgação/Câmara Federal)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão dos Direitos da Mulher, na Câmara Federal. Desde então, os reacionários estão revoltados, de olho duro nas partes pudendas da deputada.
Nada como um dia depois do outro. Cedo ou tarde, os padrões mudam. No campo da Cultura, sempre um pouco antes, por força de escândalo. Não à toa, um meme muito popular nas redes sociais acusava o choque de gerações, com ironia fina. Pouco importava, então, a natureza do tema destacado no post, a conclusão era sempre a mesma: Pablo Vittar foi longe demais!
Há pouco tempo, diversidade era só uma exigência de mercado. Prova disso, a Victoria’s Secret, grife de lingeries criticada por se apegar a um casting muito uniforme, decidiu escalar uma mulher trans para representar a marca. A guinada progressista ocorreu em passado já distante, quando a brasileira Valentina Sampaio, aos 22 anos de beleza pronunciada, deslumbrou o mundo. Ninguém sabia, mas a hegemonia da esquerda democrática estava no fim.
Hoje, diversidade é também bandeira política. A eleição de mulheres trans como a própria Erika Hilton e também a sergipana Linda Brasil já mudou a realidade das câmaras parlamentares, desde Brasília, até os cafundós do Brasil. Curiosamente, a emergência da extrema direita mundial não as silenciou.
É verdade, o mundo dá voltas e mais voltas. A depender dos conservadores, a biologia determinaria as relações pessoais e os papéis sociais, ainda agora, interditando beleza e inteligência, impunemente.
Nada mais indesejável, contudo. Se Deus criou a mulher, como sugere o título de um filme estrelado por Brigitte Bardot, no auge da carreira, meados do século passado, o homem contemporâneo deve tudo ao Dr. Freud. Raras vezes, um charuto é só um charuto.
Compartilhe esta notícia