Et Dieu créa la femme

A mulher mais bonita do mundo. (Arquivo)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Morre Brigitte Bardot, a mulher mais bonita do mundo. Desde então, quando a tristeza virou notícia, a canção de Tom Zé não para de tocar num radinho de pilha, em minha cabeça.
“Milhões de sonhos querem pedir divórcio”, canta o baiano de Irará, com a voz excepcionalmente mansa, quase um sussurro. Brigitte Bardot envelhecera, ele se dá conta. Tom Zé está desolado.
A canção ecoa desde 1973, quando o álbum Todos os Olhos foi lançado e a atriz francesa estava no auge da beleza e do talento. Aprisionada sob uma redoma de feminilidade impossível, a Brigitte Bardot de carne e osso suportava uma ideia de si mesma exterior a ela própria, como um monarca maltratado pelo peso do ouro puro em sua cabeça.
“Coitada de Brigitte Bardot”, tão bonita, chora Tom Zé. E conclui, transbordando autopiedade: Envelheceu, finalmente, cumprindo o único destino reservado às mulheres de antanho, além dos sonhos molhados da cuecada: “Triste e sozinha”.
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