Festa sem fim

Do axé e do arrocha (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Entre todas as realizações alegadas pelo governador Fábio Mitidieri, uma se destaca, inquestionável: nunca se fez tanta festa em Sergipe.
O motivo pouco importa. Desde o Carnaval até o Réveillon, capital e interior rebolam gostoso. Grandes eventos, celebrações públicas e até a micareta fora de hora do aliado Fabiano Oliveira recebem rios de dinheiro do governo estadual.
Ano passado, o desprezado Festival de Artes de São Cristóvão, uma festa cabeça demais, talvez, popular em excesso para o gosto de Mitidieri, foi agraciada uma primeira vez com o patrocínio do governo de turno. Não se viu empenho pessoal do governador na promoção do Fasc, é verdade. Mas o evento foi admitido de novo no calendário festivo da terrinha, ainda que sem o entusiasmo reservado ao Pré- Caju.
Afirma-se que a festa sem fim produz reflexos positivos na economia estadual, promove o destino Sergipe. O argumento ignora, no entanto, um dado preocupante: As menores cidades do Brasil, com população de até dez mil habitantes, fazem “investimento” idêntico, a um custo imenso, muitas vezes incompatível com a situação fiscal do município. E obtém também os mesmos resultados pífios.
Última sexta-feira, 27 de março, Dia do Teatro e do Circo, os palcos sergipanos estiveram vazios. A data passou em brancas nuvens. Nem o governador, nem o seu Secretário Especial de Cultura, Valadares Filho, cogitaram uma boa farra na ocasião. Aparentemente, o coração do homem abadá só bate forte sob compassos de axé e arrocha.
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