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Festejos Juninos – O que prevalece?


Publicado em 11 de junho de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Antônia Amorosa

A cultura continua sendo a linguagem mais complexa para o entendimento das massas. O choque entre o contemporâneo e o permanente pode interferir, de maneira irreversível, na identidade de um povo. Neste viés, o que prevalece não é o radicalismo, mas a leitura do tempo associada ao consumo social de produtos culturais que podem configurar tendências externas ao que deve ser preservado, mesmo às custas dos gostos populares, trabalhados fortemente nas mídias que formam, por osmose, o gosto popular.
As tradições representam uma leitura viva de onde viemos, quem somos e até onde podemos ou queremos chegar.
As festas juninas do nordeste representam o segundo natal do povo nordestino. O espírito junino move a gene ancestral de descendentes europeus e africanos, envolvendo-os em emoções inexplicáveis e visíveis aos olhos, risos, danças, comilanças e cantigas, músicas modernas e tradicionais, todas entrelaçadas em uma só celebração.
Contudo, poucos sabem que o forró possui vários significados e, o conflito dessa mistura gerou o que assistimos a cada tempo de festança. Segundo Câmara Cascudo, “Forró é um conjunto de ritmos e misturas de danças e cores”, chegando a ser associada com festas de samba. Ao mesmo tempo, forró é também um gênero e uma identidade cultural definida por seus fazedores que não aceitam interferências que fujam de um conceito construído por quem conseguiu representar o segmento regional através do seu estilo, como foi o caso de Luiz Gonzaga.
Hoje, o cenário das festas juninas se transformou numa coletânea de ritmos, sons e estilos, confluindo-se com o forró raiz por uma razão fácil de identificar – não houve multiplicação no mercado musical voltado para o gênero forró raiz, o que não deixa de ser preocupante, considerando que a possível escassez deste estilo tende a descaracterizar o próprio período junino. Trata-se de um fenômeno cultural que tem ocorrido há décadas no nordeste, tendo a Cidade de Campina Grande como a responsável por este rompimento cultural.
No caso de Sergipe, trata-se do único estado que possui uma programação autêntica, mesmo pluralizada nos ritmos, em que o turista assiste um real espetáculo de quadrilhas juninas; trios, quartetos e quintetos mantendo fielmente as tradições do forró raiz; comidas típicas sendo passada de geração a geração, entrelaçando-se com atores midiáticos que atrai multidões.
O fato é que as festas juninas vividas até o final da década de 80 difere daquelas que foram modificadas com o fim dos bailes em clubes festivos e a migração de bandas para os palcos que, antes pertencia exclusivamente a quem atuava no segmento forró raiz.
A cultura paralela possui um domínio de mercado em que a permanente não reverbera com igual força. Porém, esta última é a única que garante a originalidade da festa. Enquanto isso, o forró raiz ganha o mundo através de festivais realizados em mais de 30 países, onde caminha para se tornar patrimônio cultural da humanidade.
Sendo assim, a região que conseguir equilibrar essa natural tendência cultural dominada pelo mercado temporal e consumista, assumindo um protagonismo em vislumbrar o novo sem ignorar o tradicional, consolidará para a história um papel fundamental em enfrentar o futuro, mantendo hoje o que é de hoje, sem abandonar a base construída pelos nossos ancestrais.

* Antônia Amorosa é cantora e jornalista

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