Rian Santos
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Não me equilibro numa bicicleta há muitos anos. A idade avançada não me impede, entretanto, de admirar a beleza esguia dos ciclistas. Na cadência gostosa do pedal, ombros nus, cabelo ao vento, eles bronzeiam o corpo e refrescam a cuca, não sabem o preço da gasolina.
Esta semana, o litro da gasolina deve chegar a R$ 8,00 nos postos de combustíveis de Aracaju. O reajuste nos preços realizado por uma refinaria localizada na Bahia, de onde provém grande parte do combustível comercializado em Sergipe, deve ser repassado ao consumidor imediatamente.
Esta é uma questão de economia e, portanto, também de governo. O aumento do diesel preocupa especialmente setores como transporte de cargas, transporte público e produção agrícola. Já a gasolina afeta diretamente motoristas de aplicativos, trabalhadores autônomos e a rotina das famílias. Em um caso e outro, a pressão inflacionária tende a influenciar o humor popular, repercutindo na avaliação do governo de turno, aqui e em Brasília.
Penso no amigo Fúria, livreiro independente, dedicado ao nobre escambo das letras, acostumado a cruzar a cidade em cima de uma magrela, com uma biblioteca inteira pendurada nas costas. Invejo a sua velocidade. Eu não pedalo mais.


