GERALDO, ONDE OS FINS JUSTIFICARAM OS MEIOS?

Tomzé Aboim Freire Castelo Branco

Hoje em Aracaju é 01 de fevereiro de 2023, um dia ensolarado, límpido e cheio de esperanças, no mundo político aguarda-se com muita ansiedade o dia 02, com os resultados das apurações dos votos para os presidentes da Câmara de Deputados e do Senado, suspense reina quando, abruptamente, chega de algum lugar, a notícia:
– Dr. Geraldo morreu com um infarto fulminante!
Trata-se de Geraldo Jose Nabuco de Menezes, um engenheiro civil sergipano, que nos idos de 1979, fora o Diretor Técnico da COHAB/SE – COMPANHIA ESTADUAL DE HABITAÇÃO POPULAR DE SERGIPE, onde fruto de uma tumultuada relação de convivência nessa sua diretoria executiva, o governador Augusto Franco, se viu forçado a reestruturá-la e assim, nomeá-lo seu Diretor Presidente.
Uma decisão acertada de Dr. Augusto, um homem de decisões e posições firmes e eficazes! Assim Geraldo dirigiu os destinos da COHAB/SE de 1980 a 1987 com uma imensa vontade de produzir algo inédito na geração de habitações no seu estado.
Homem prático, objetivo, focado em realizar o seu trabalho o melhor possível e sempre o mais rápido possível, trabalhar com ele era um constante aprendizado e sempre, um grande desafio.
Mola-mestra da constante caça ferrenha de bons resultados! “O feito mais fantástico dessa gestão foi que conseguimos, de forma inédita, comprar o terreno (Sítio Pintos), levantá-lo com a plani-altimetria necessária, documentá-lo de forma juridicamente perfeita, fazer todos os projetos, aprovalos nos órgãos competentes, licitar todas as obras e conclui-las dentro do mesmo governo. Dr. Augusto ordenou a construção e inaugurou o conjunto pronto” disse-me hoje o também Engenheiro Jose Carlos Machado, homem de inteligência ímpar, grande visão da conjuntura que sempre nós estamos envolvidos e de uma capacidade de trabalho, invejável.
Assim o Geraldo buscava sempre se cercar dos melhores, lembro do Arq. Décio Aragão, do Eng. Silvio Garcez, do Eng. Sergio Smith, do Eng. Josafá de Oliveira Filho, do Eng. Arthur Melo, do Eng. Fernando Sampaio, do Eco. Jose Hora, do eterno tesoureiro Carlito, do Renato Prado, da Eco. Elze, do Eng. Carlos Melo Filho, do Bel. Jose Américo, tantos outros, inclusive eu.
Essa plêiade de profissionais top, com a autonomia que sempre lhes foi dada tanto por Geraldo como por Machado ou por ambos, de forma clara e direta, sempre em função dos resultados consequentes dessa autonomia que cada um findava por oferecer a cada trabalho, nos rendeu e ao povo sergipano, a bagatela de 17 empreendimentos habitacionais no período da gestão de Geraldo, mais de 11 mil habitações foram entregues aos mais de 55 mil sergipanos beneficiados, um feito até hoje jamais superado.
Eu conheci Geraldo e Machado ainda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia, estava apresentando meu último trabalho da última matéria (Pratica Profissional II, com o Professor Doutor Américo Simas Filho) para me formar.
Ao receber minha excelente nota do mestre, saí da sua sala e encontrei um colega (Frederico Marques Berbert). “Tomzé, você não quer ir morar em Aracaju? O professor acaba de me oferecer um bom emprego na COHAB/SE pois tem dois dirigentes dela aqui selecionando arquiteto para ir para la” disse-me Fred.
Voltei e fui ao encontro desses dois dirigentes, eram Geraldo e Machado e assim conto essa história mais de 43 anos depois, na esperança que as novas gerações vejam que:
1. Querer é realmente poder, foque!
2. O ótimo sempre é um inimigo do bom!
3. Na construção quando tudo fica obscuro, apele para a “regra de três”, se for complicado, use a “regra de três” composta
4. Construir é da resolução rápida a todos os problemas, mas primeiro precisa-se descobrir qual é o primeiro problema.
Parabéns querido, Geraldo, os fins justificaram os meios?
Muitos foram os óbices, os problemas, os maus entendimentos, as agruras, sim. Erramos claro, somos humanos! Entretanto, muitos foram os paradigmas que você com sua garra, quebrou e assim, muitos foram os resultados positivos conseguidos, por você e por todos de forma inédita e imbatível até hoje e assim, entendo que desta vez, nesses casos, os fins justificaram os meios, sim!
Obrigado por tudo, descanse na paz, a paz do Senhor. Machado calma, não desista de nada!

Tomzé C. Branco, arquiteto, urbanista, comerciante, escritor de textos político-sociais brasileiro e Cônsul Honorário Romeno

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