Rian Santos
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Tenho horror ao rico. Refiro-me ao homem branco de qualquer idade, podre de privilégios, sem calos nas mãos, alheio ao mundo real, indigno da fina arte de fazer nada, o ‘dolce far niente’.
Tenho cá os meus preconceitos, como se nota. Assim, ao evocar a imagem de um milionário, emerge em minha cabeça o semblante suspeito do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, sua face rosada de recém-nascido, com toga e tudo.
Tal impressão, no entanto, passa ao largo da originalidade. Segundo pesquisa recente, realizada após o caso Master lambuzar a reputação do Supremo com nódoa pegajosa, o grosso dos brasileiros não vê os senhores ministros com bons olhos.
A terceira edição da pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira, revela: Entre os que dizem estar informados sobre o assunto, o STF é a instituição mais associada ao escândalo. Para 70% dos entrevistados, o tribunal perdeu credibilidade.
O dado me parece justo como o riscado de um bom alfaiate. E também inconveniente. Há repercussões indesejáveis, os reaças de olho no Senado Federal querem a cabeça dos ministros numa bandeja, a fim de vingar os golpistas condenados pelo 08 de janeiro. E se aproveitam do vexame para engrossar o pescoço.
Não me reconheço entre estes. Aponto o dedo duro, sim, para o STF da carona nos jatinhos, das palestras remuneradas, do casuísmo e dos penduricalhos, como fez o senador Alessandro Vieira ao protocolar o pedido para instaurar uma oportuna CPI. Reconheço, no entanto, os bobs serviços prestados em defesa da Democracia e da Constituição. Apesar dos senhores ministros…


