Lampião vai ao Largo

Dupla homenagem (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
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Adiberto de Souza levou a coragem às raias da loucura e chamou Lampião para a briga. Segundo o jornalista, a presença do cangaceiro no Largo da Gente Sergipana, ao lado da companheira Maria Bonita, não é apenas inadequada. Para ele, as esculturas agridem a nossa cultura.
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Há controvérsia. O Largo da Gente Sergipana, o monumento mais vistoso de uma capital despida de monumentos, é dedicado a manifestações do folclore local. No referido espaço, esculturas em fibra de vidro assinadas pelo artista Tati Moreno evocam danças, folguedos, festas e happenings.
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Trata-se aqui de simples alusão. Assim, Lambe Sujo e Caboclinhos, Chegança, Cacumbi, Taieira, Bacamarteiros, Reisado, São Gonçalo, Barco de Fogo, Parafuso, ganham representação palpável e se dispõem ao apetite voraz dos turistas.
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Adiberto evoca o sangue derramado pelo cangaço para argumentar contra a permanência de Lampião e Maria Bonita no Largo localizado à margem do Rio Sergipe. Mas ignora, entretanto, as marcas deixadas pelo bando de Lampião no imaginário de todo o nordeste, Sergipe incluído.
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Percebe-se na obra de Francisco J. C. Dantas, o maior dos escritores sergipanos, por exemplo, uma relação umbilical entre a paisagem árida dos cafundós e o pavor inspirado pelo banditismo dos jagunços. Lampião é, aliás, um dos personagens mais sedutores do sertão, justamente por sua ambivalência. Para uns, não passa de reles criminoso. A maioria, no entanto, o enxerga como uma espécie de revolucionário, um heroico guerrilheiro social.
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Para além de qualquer fundamento histórico, no entanto, convém observar ainda o valor estético das obras aqui em questão. Inspiradas no trabalho de Beto Pezão, as belas esculturas lapidadas por Elias Santos, ele que já esculpiu Zé Peixe na pedra, prestam dupla homenagem: tanto celebram o casal dos trabucos e lâminas afiadas, em conflito com a ordem, quanto aplaudem o artesão dos pés enormes.
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Eu e Adiberto concordaremos em discordar, portanto. Para mim, nascido e criado nas ruas de Ará, o Largo da Gente nunca foi tão interessante.
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