Livros e livros

(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Muitos livros, pouco tempo.  A síntese estampada numa caneca explica a má vontade corrente com os eventos do acanhado mercado editorial da terrinha.
Muitas vezes, tinta e papel são gastos à toa. Os trocentos lançamentos da Bienal de Itabaiana, por exemplo, não têm lugar nas prateleiras estreitas de minhas estantes.
Há algo de anacrônico na vaidade intelectual de certos autores. Ao poder de mando, estes pretendem agregar o prestígio derivado da assinatura na lombada de vistoso volume, feito verniz. Correm atrás do aplauso. Mais das vezes, entretanto, dão-se ao vexame.
José Sarney é romancista reincidente. Albano Franco não precisou escrever um só conto para conquistar a imortalidade duvidosa das Academias de Letras. Um biógrafo baba ovo, cujo nome não merece ser mencionado, assedia autoridades locais em busca de notoriedade, citações nas colunas sociais, favores, sinecuras… Anda por aí de terno e gravata, mas aceita de bom grado qualquer tostão furado.
Temos, sim, escritores de verdade, a começar por Francisco J C Dantas, o homem capaz de cometer Coivara da Memória, uma obra-prima. Mais provável encontrá-lo aqui, em breve menção num artigo de jornal, no entanto. Não o imagino a distribuir lições de vida e de Literatura sentado a uma cadeira de plástico, microfone em punho, a voz soterrada pelo vozerio no meio do Shopping Peixoto, lá em Itabaiana.
Há livros para todos os gostos, assim como há leitores de variada estirpe, alguém pode argumentar. Não me atenho, contudo, à natureza dos afetos. Interesso-me, antes, pela imensa responsabilidade de organizar palavras em um enunciado transformador. Em verdade, poucos livros valem a pena. Estes desafiam as noções mais conformadas a respeito do mundo e também de toda a gente.
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